sábado, 19 de setembro de 2009

ACERVO PRECISANDO DE CARINHO

Quase todo o lar tem um acervo de livros, documentos e fotografias. Na minha casa conto com um número razoável de livros de muitas áreas do conhecimento e de ficção,  revistas variadas, manuais diversos, fotos da família, fotos de amigos, fotos de animais, etc. A maior parte deste acervo foi-se acumulando durante, aproximadamente, setenta anos. Entre as fotografias, em especial, temos exemplares de até cerca de cem anos de existência. Para dar início a um projeto pessoal e despretensioso, meus olhos se voltarão para uma das estantes com livros e revistas, que está localizada num anexo da casa, o qual utilizamos para quarto de hóspedes. Em primeiro momento, nossa atenção se voltará para o material presente na estante deste anexo. Postei, para melhor entendimento do leitor, as fotos do dia 19/09/2009.




Nota-se que a estante de madeira fica escondida atrás de alguns móveis. Durante algumas semanas estarei dedicando uma parte do meu tempo para corrigir pelo menos alguns pontos críticos (na verdade, são muitas falhas e descuidos). As fotos com cada passo serão postadas, no decorrer dos trabalhos...inclusive, a retirada destes móveis. Em outro momento, iniciarei o cuidado adequado às fotografias.


sábado, 27 de junho de 2009



O TEXTO ABAIXO FOI EXTRAÍDO DO SITE: www.hippies.com.br/site/index.php?start=24


Um senhor, chamado José Arguelles, trabalhou num livro, entre 1986 e 1987, livro chamado "O Fator Maia". Nesse livro, ele comete uma série de erros, mas o principal deles foi ter modificado a ordem dos ciclos maias em relação ao ciclo original de 2012. Na prática, ele pegou carona no ciclo de 2012, mas MUDOU toda a ordem dos ciclos que se relacionam a ele, destaque especial para o TZOLKIN, o Calendário Sagrado, ou o calendário dos "kins". Ele modificou a ordem sem maiores explicações, e divulgou, dentro desse livro, como se a ordem que ele criou fosse genuinamente maia.
Depois disso, ele passou a divulgar o calendário dele, com o nome de Dreamspell ("Encantamento do Sonho"), uma referência à origem do calendário dele, que são os sonhos que ele teve. Esse calendário ficou mais conhecido aqui no Brasil como "Calendário da Paz" ou "Sincronário da Paz". Dentro esse calendário, ocorreu uma "mistura da nova era", digamos assim, onde incluíram runas, i ching, sempre sob a leitura pessoal do Arguelles, e também começou a idéia de que os maias foram para outro plano, que maias são ETs, etc, etc. Pegaram carona também na "Bandeira da Paz" e na "Federação Galática". Houve um movimento, ainda na primeira parte da década de 90, que visava substituir o calendário gregoriano pelo calendário dele, onde o Arguelles chegou a se reunir com gente da ONU e do Vaticano, mas não teve sucesso, e passou a botar a culpa no "maldito capitalismo", depois que não conseguiu apoio dele. O argumento era que "o calendário gregoriano está errado", "devemos sair da 'frequência' 12:60 (12 meses, 60 minutos) para a frequência 13:20 (13 'tons' e 20 'selos', base matemática do calendário sagrado)". Entretanto, o Calendário da Paz desrespeita o ciclo original de 2012 e, ao mesmo tempo, ESTÁ PRESO ao calendário gregoriano. Há uma contradição: ele diz que o calendário gregoriano é "coisa ruim", mas o calendário da paz está totalmente preso ao mesmo calendário que ele pinta como se fosse o diabo.
A comunidade acadêmica nunca reconheceu esse calendário, e o criador do mesmo foi "obrigado" a esclarecer ao público de q o calendário dele NÃO era o calendário maia, por não ter bases suficientes para comprovar aquilo q ele dizia no livro publicado na década de 80. Entretanto, ele começou a dizer que o calendário dele era o calendário dos "maias galáticos", numa tentativa de afirmar o calendário dele como se fosse um maia "evoluído" (coisa que é repetida por muita gente, mas que não tem base alguma), e estranhamente ele passou a ser cada vez mais o centro das atenções dentro do calendário que criou, onde ele é colocado como "encerrador dos ciclos", "enviado de outros planetas" e uma possível "reencarnação" de um conhecido rei-sacerdote maia. Mais uma vez, tudo baseado nos SONHOS dele (literalmente, ele sonhou e relatou, etc, etc), mas que obviamente ele não tem como comprovar. A coisa toda acaba se resumindo à fé no CRIADOR do Calendário da Paz. Mas lembrem-se: se o calendário da paz funciona com você, isso não quer dizer muita coisa pois, como disse um sábio senhor, "o calendário sagrado dos maias é um oráculo, e todo oráculo responde se você colocar energia nele", mesmo se você não o utilizar em acordo com os maias. Dizer que o Calendário da Paz é maia é passar por cima da história, da arqueologia, da antropologia, etc, etc, etc. É um crime cultural, eu diria. Afinal, se trata de um calendário mais novo do que boa parte das pessoas que aqui estão. A questão é que 20 anos atrás esse assunto era domínio de poucos, e quando o cara chegou trazendo tudo isso um monte de gente aceitou sem questionar. No Brasil, então, piorou: até 2006, quando eu iniciei um projeto de esclarecimento e transmissão de conteúdos condizentes com o calendário maia original, o "grande público" só tinha acesso a conteúdos em português sobre o "Calendário da Paz" ! O fato de o ano novo ser sempre em 26 de Julho demonstra como o Calendário da Paz é preso ao gregoriano. Mas é também uma mentira dizer que 26 de Julho é o ano novo maia.

Para saber mais, existe um pequeno artigo meu, de 2006, que trata sobre a página do livro "O Fator Maia" onde Arguelles literalmente diz que o calendário dele é maia, mas comete erros primários:http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=17055759&tid=2475817868972769492&start=1
Um amigo e colaborador português escreveu um artigo que determina vários outros erros contidos nesse livro, artigo esse que pode ser acessado no seguinte link:http://www.hippies.com.br/site/index.php/artigos-mainmenu-31/56-artigos/732-erros-de-calculo-no-livro-o-fator-maia.html

Ou ainda, em links alternativos:Download link 1
Download link 2
Existe, ainda, a minha comunidade, "Calendário Maia NATIVO", para quem quiser. E também podem falar comigo direto pelo meu perfil.Abraços, e espero que possamos esclarecer isso para todos durante o festival desse ano (Festival Fora do Tempo)

Fonte: calendariosagrado.org

sábado, 30 de maio de 2009

DIGITALIZAÇÃO DE IMAGENS: QUALIDADE DIGITAL DE DOCUMENTOS ARQUIVÍSTICOS


RESUMO

Este trabalho analisa a leitura de textos que trazem referências ao processo de digitalizar imagens e a qualidade digital para textos e documentos de arquivo. Aborda a importância da preservação de documentos e o uso da tecnologia para melhorar o armazenamento e o acesso ao usuário de documentação arquivística. Apresenta a relação que pode haver entre os hardwares envolvidos no processo de digitalização e a qualidade da imagem digital.

Palavras-chave: Digitalização. Imagem digital. Qualidade de imagem. Resolução digital. Texto digitalizado.


1 INTRODUÇÃO

Na medida em que os serviços estão cada vez mais amplos, fazendo a sociedade acumular uma infinidade de documentos, surgem, também, diversas formas de gerar, armazenar, organizar, compartilhar e acessar este volume de informações. Seguindo a tendência de preocupação com o meio ambiente, podemos considerar que os documentos em papel podem ser danificados facilmente e que a documentação digitalizada fica protegida da ação da umidade e do tempo. Existindo, assim, uma contribuição para a diminuição de produção de papel e uma organização otimizada dos acervos.
O gerenciamento eletrônico de documentos é uma importante ferramenta para o andamento eficiente de qualquer tipo de organização documental, assim como na produção e reprodução de documentos literários. Veremos, no decorrer deste trabalho, alguns recursos que envolvem o processo de digitalização de textos e documentos arquivísticos. Embora não seja um trabalho com profunda abordagem técnica e científica, este artigo mostrará, juntamente com o desenvolvimento da pesquisa literária, figuras de alguns equipamentos e periféricos utilizados neste processo de tornar os documentos em imagens digitalizadas.
A base desta pesquisa vem dos textos do Projeto Conservação Preventiva em Bibliotecas e Arquivos – CBPA. Este artigo, portanto, aborda o processo de digitalizar imagens e os requisitos de resolução digital para textos. Apresenta alguns exemplos práticos de instituições que já utilizam a produção de documentos eletrônicos ou a digitalização de documentos físicos, facilitando o acesso do usuário ou do cliente.


2 A DIGITALIZAÇÃO

Os documentos produzidos na administração de uma instituição podem ser digitalizados para facilitar sua guarda, organização, compartilhamento e acesso. Um documento digitalizado pode ser facilmente encontrado no ambiente virtual. Seja em um computador pessoal, ou em um sistema entre computadores de uma empresa ou no ambiente globalizado da Internet. Para iniciar o processo de digitalização será necessário um equipamento que faça a leitura do documento e o envie para o computador.
O scanner(Fig.1) é o aparelho mais utilizado para fazer esta leitura. Ele faz uma varredura no documento a ser digitalizado, num processo semelhante ao de uma máquina fotocopiadora. A grande vantagem é que o scanner, quando conectado ao micro e através de um software instalado no computador, envia o documento em forma de uma linguagem digitalizada ao microcomputador e este último lê, processa esta linguagem e a transforma em imagem visível aos nossos olhos.
Esta transformação do documento real em documento digital, quanto mais eficiente ela for, mais características do documento original impresso ela vai captar. Abaixo, um exemplo de documento digitalizado (Fig.2).

Atualmente, a grande maioria de documentos é criada no ambiente virtual. Poderíamos nos perguntar, então, o por quê da digitalização de documentos. A resposta é simples. Assim como criamos diversos documentos no computador, não temos acesso a muitos outros documentos que não seja em sua forma digitalizada. Não temos todos os programas geradores de documentos ou não somos aptos a ter todas as ferramentas que tornam possível produzir determinada documentação. Podemos acessar uma diversidade de materiais na Internet, por exemplo, porque, simplesmente, foram digitalizados e dispostos ali para nosso acesso. Alguns documentos ou textos, são criados eletronicamente e disponibilizados na rede. Outros, digitalizados a partir de originais impressos em papel.
Muitas seguradoras, por exemplo, já disponibilizam as apólices e as condições gerais de seguros contratados, a seus clientes, através de mensagens eletrônicas. O arquivo enviado, em anexo, na mensagem é em forma de PDF (Portable Document Format). Indivíduos, empresas e agências governamentais utilizam o formato PDF como uma ótima forma de comunicação, divulgação e compartilhamento de documentos enquanto mantém o conteúdo inalterado, prevenindo os direitos autorais. O cliente pode imprimir e guardar o documento em seu arquivo pessoal ou mantê-lo na memória do computador ou do servidor de e-mail.


3 QUALIDADE DA IMAGEM DIGITAL

O uso de máquinas eficientes, assim como o conhecimento adquirido de quem as utiliza, garantem a qualidade da imagem digital. Todo o processo de digitalização começa na preparação dos documentos a digitalizar. Após, é executado o primeiro controle de qualidade, através da visualização do documento digitalizado e se este conferir com o original, o documento digital é enviado para a base de dados e o documento original arquivado, conforme se encontrava antes do processo de digitalização.
Um processo eficiente de digitalização de arquivos já impressos, possibilita a captura de todas as características do documento, possibilitando uma futura reimpressão deste documento com 100% de suas características de cor e imagem preservadas. (IMG DIGITAL1)
Utilizando-se de meios eletrônicos para produzir e ou reproduzir seus documentos administrativos, as empresas ou instituições aperfeiçoam tanto o acesso aos documentos arquivísticos quanto a própria qualidade e preservação de seus documentos. Administrar ou gerenciar documentos arquivísticos, a partir da aplicação de conceitos e teorias difundidas, garante às empresas públicas ou privadas obter maior controle sobre as informações que produzem e ou recebem.
A capacidade do computador e os programas instalados, assim como o desempenho do próprio scanner ou qualquer outro periférico são determinantes para a qualidade da imagem do documento arquivístico escaneado. O espaço de armazenamento de uma imagem, no computador, é muito maior do que um arquivo de texto produzido através da digitação. Mesmo esta imagem sendo de um original impresso em forma de texto. A qualidade do documento digitalizado é tão importante quanto a preservação do documento original. Em alguns casos, a digitalização torna o documento mais acessível à leitura do que o próprio original.

Abaixo, uma página de um boletim de ocorrência (Fig.3) em que o original, mesmo produzido em computador de uma delegacia da Policia Civil, foi impresso em máquina impressora matricial, com a cor em escala de cinza. O resultado deste procedimento impedia o envio por fax, pois chegava ao destino completamente ilegível.
As fotocopiadoras encontradas e alguns scanners não apresentaram o resultado esperado e a solução foi escanear o documento com a melhor resolução possível em um equipamento de última geração. O resultado foi um documento digitalizado, com uma visualização possível.



4 CONSIDERAÇÕES FINAIS


O uso da digitalização pode auxiliar no desempenho de funções administrativas e de acessibilidade a documentos arquivísticos. Porém, a tecnologia da digitalização, conforme os textos estudados, ainda está no início e é preciso ter muita cautela. O cuidado em não apoiar-se totalmente na digitalização e na produção eletrônica de documentos é primordial para a consulta e o acesso às informações. Enquanto um volume grande de massa documental pode tirar mais tempo do usuário para sua organização e consulta, os arquivos digitalizados podem ser acessados em um tempo mínimo, dependendo da velocidade dos programas e da máquima onde se encontram. Isso pode levar alguns à idéia equivocada de que os documentos impressos não tem mais lugar na administração de documentos.
No entanto, o documento arquivado em computador depende de uma série de outros periféricos, além da memória da máquina. Sem um programa de leitura, de editoração, um monitor ou uma impressora, não temos acesso às informações ali armazenadas. O documento impresso em papel ainda é necessário, principalmente no que diz respeito à leitura e visualização garantida dos documentos arquivísticos.












REFERÊNCIAS

OGDEN, Sherelyn. O básico sobre o processo de digitalizar imagens. p.7-10. In: Reformatação. 2. ed. Rio de Janeiro: Projeto Conservação Preventiva em Bibliotecas e Arquivos: Arquivo Nacional, 2001. (nº 44 a 47)

KENNEY, Anne r. ; CHAPMAN, Stephen. Requisitos de resolução digital para textos: métodos para o estabelecimento de critérios de qualidade de imagem. p.7-25. 2. ed. Rio de Janeiro: Projeto Conservação Preventiva em Bibliotecas e Arquivos: Arquivo Nacional, 2001. (nº 51)


IMG DIGITAL – Empresa de digitalização – Texto comercial - http://www.imgdigital.com.br/1.htm
Acesso em 25/05/2009

sábado, 23 de maio de 2009

Ao Arqueólogo do Futuro

Ao Arqueólogo do Futuro
08/05/2009
Isabel Ayala


Caro Arqueólogo,

Não sei bem em que época, ano, situação ou contexto você vive no momento da descoberta desta carta. Talvez seja uma era em que os homens (caso ainda existam) não precisem resgatar idéias, pensamentos e atitudes mais antigas para tentar consertar o que se passa em seu presente. Pois digo, desde já, pode não dar certo. Vivo em uma época onde a tecnologia e o desenvolvimento médico e industrial não abafam as atitudes que, espero, sua sociedade tenha superado e transformado. Atitudes como a intolerância com o Outro. A não aceitação de uma etnia, nacionalidade, pensamento ou religião. Poderíamos ficar horrorizados com a realidade do meu passado. Mas saiba que o meu presente, nada mais é do que um retrato de desigualdade, diferenças, guerras baseadas em conhecimento tecnológico e barbárie.
Claro, também temos coisas boas no meu presente. Engraçado escrever tanto sobre presente, passado e presente que um dia será o passado. O tempo pode ser dividido em números. Tanto que fiz questão de colocar a data em que escrevo estas palavras, no início desta carta. Mas, também, o tempo pode ser a memória, a vivência, a experiência da História. É como se fosse uma onda...não sei bem se uma onda em que fazemos parte da energia que a move, ou se uma onda que nos leva a um destino incerto.
Aprendi, nestes livros de História, que povos do meu passado, através de alguns indivíduos, fossem artistas, filósofos, cientistas ou tudo isso junto,não se conformaram com suas realidades e tentaram transformar seu universo. Em alguns momentos, colocando Deus ou Deuses como o Centro de tudo, em outros colocando o próprio homem como o eixo principal da existência. Existiu em algum momento do passado do meu presente, um resgate de idéias, mais antigas ainda de quem o fez. Algo muito importante que não comentei até o momento: meu mundo divide-se em Ocidente e Oriente e, há muito, tratamos a História assim. Falo do Ocidente, ou melhor, de um país colonizado por algumas poderosas nações ocidentais.
Hoje, caro Arqueólogo, estamos sedentos de muitas coisas boas ou de notícias boas. Embora sedentos, pouco fazemos ou realizamos para que elas aconteçam. Interessante seria, juntarmos todos os líderes da melhor estirpe: cientistas, estudiosos, pensadores, políticos (os bons!), escritores, etc, a exemplo de Rafael Sanzio, que pintou o quadro “Escola de Atenas”, para chegarmos a uma receita de evolução. Evolução humana e social. Falo em evolução e não apenas resgate de idéias de outros tempos. Espero que a sua visão sobre a minha sociedade seja mais autocrítica do que observadora. Afinal, você faz parte do produto de nossos feitos. No meu tempo, a sua função, de arqueólogo, faz parte da História ciência. Você, como pessoa, faz parte da História onda, da História que fala do tempo, dos boatos, da morte, da intolerância. Não sei se você é de uma sociedade que se julga superior às outras, pois desejo que este pensamento, ou este julgamento, tenha evoluído ou se transformado em algo bem mais transcendental.
Talvez, vocês ainda dêem importância ao boato e o estudem como estudamos hoje. Porque atrás do boato pode haver muita história para explicá-lo. Estudamos a intolerância, mas não deixamos de praticá-la. Na maioria das vezes, o Eu é superior ao Outro. Podemos tolerar a intolerância? Você e sua sociedade são tolerantes?
Enfim, “nós que aqui estamos, por vós esperamos”. Estamos preparando o mundo para você, meu caro Arqueólogo do Futuro. Escrevo de uma sala de aula e esta carta é o exercício de uma prova. Estou dentro de uma universidade e acredito que você tenha algo parecido com uma escola na sua sociedade. Talvez igual, diferente...mas acredito que a tenha, na minha mais feliz idéia de evolução.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Visita ao Arquivo Histórico Moysés Vellinho

O Arquivo Histórico de Porto Alegre Moysés Vellinho (AHPAMV) é uma Autarquia Pública Municipal, com abrangência na cidade de Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul. A Instituição é responsável pelo recolhimento, organização, conservação e guarda da documentação permanente do município de Porto Alegre. O Arquivo tem, como característica, a guarda tanto da documentação advinda das atividades desenvolvidas pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre na área Administrativa, Executiva e Legislativa, quanto de documentos vinculados à História da cidade, mapas dos bairros, livros temáticos e acontecimentos da capital. No Arquivo Moysés Vellinho, encontram-se documentos produzidos desde o século XVIII até a atualidade.

O Arquivo localiza-se em sede única na Zona Leste da Capital, à Avenida Bento Gonçalves nº 1129, Bairro Partenon, Porto Alegre - RS. Telefone: 51-3219.7900. A sede é composta por dois Prédios Históricos (Figura 1 e Figura 2), reformados em 1994 e um anexo, construído em 1999 (Figura 3). A área ocupada tem mais de 5.000 m2, com vegetação abundante e diversificada.

































sexta-feira, 3 de abril de 2009

LeCoadic_Mapa

http://www6.ufrgs.br/neiti/bib03064/wp-content/gallery/yves-francois-le-coadic/c1.jpg

De acordo com o mapa de Yves-François Le Coadic, percebemos que, tanto bibliotecários quanto arquivistas, tem a contribuição de diversas disciplinas no processo de produção de documentos em meio eletrônico. A Indústria da Informação, assim como a produção de qualquer outro produto está especializando-se cada vez mais na era digital, assim como as outras atividades que a circundam. Deve-se ter o cuidado em ambiente de rede, assim como se tem na produção de documentos físicos, em relação à autenticidade dos mesmos. A contribuição do Direito, por exemplo, pode nos gararantir a base para os processos de Direito-Autoral, a História nos fornece as bases para a pesquisa, a Informática dá o suporte para a produção de documentos eletrônicos e as Telecomunicações ajudam a difundir as informações, documentos, trabalhos literários, etc. Para o bibliotecário é importante a veracidade da autoria de textos, trabalhos, artigos, livros , etc, assim como para o arquivista existe a importância de constatar que algum contrato, apólice, planilha ou memorando seja autêntico, e que faça, realmente parte do contexto de seu trabalho. No mundo virtual (acesso à rede) ou eletrônico (um simples microcomputador) encontramos uma extensão dos espaços físicos ocupados por arquivistas e bibliotecários. Assim como o Direito,as Ciências Humanas, as Ciências Exatas e as regras sociais, nos acompanham na vida profissional “real”, precisamos que haja essa interação, também na “virtual”.

quinta-feira, 26 de março de 2009

A maré

A maré

Amare

Amar é...

A maré

Amare

A Mare

Amar é...

A maré

A maré

A maré

A maré...

cuidado!

Amar é...
Cuidado com a maré!

Não dorme na areia...

quarta-feira, 2 de julho de 2008

JORNALISMO SOLIDÁRIO

JORNALISMO SOLIDÁRIO: EM BUSCA DA CIDADANIA




RESUMO

Este trabalho aborda a leitura de obras que trazem referência à importância da informação e comunicação na formação do cidadão, trazendo ao leitor as idéias de alguns escritores. Busca, também, mostrar as ações de profissionais ligados à área de comunicação social com seus projetos de jornalismo solidário, além de apresentar os assuntos tratados durante seminários desenvolvidos no decorrer da disciplina Fundamentos Científicos da Comunicação (do Curso de Arquivologia 2008/1). Apresenta a importância da independência política na mídia, para o pensamento livre em busca da cidadania. Aborda a força dos grandes veículos de comunicação de massa na formação ou deformação do espírito crítico do cidadão leitor e espectador. Conclui com a manifestação de que o jornalismo solidário é, no momento atual, um dos melhores caminhos para a formação de um cidadão consciente de sua liberdade de escolha, na busca de um papel na sociedade.

Palavras-chave: Cidadania. Comunicação de massa. Jornalismo solidário. Liberdade de escolha. Mídia. Sociedade.

1 INTRODUÇÃO

A construção da cidadania, quase sempre, existiu partindo de alguma força maior ou acima da sociedade. Onde existiam chefes de estado, líderes religiosos ou qualquer outra forma de dominação do pensamento coletivo, hoje em dia os grandes veículos de comunicação têm assumido esse papel. A sociedade do mundo contemporâneo vive de acordo com as regras, não propriamente impostas, mas reforçadas pelas mídias impressa, eletrônica e virtual. “Os meios de comunicação para massas, então, antes confirmam do que alteram as opiniões gerais e, em regra, refletem as normas sociais”. (Marcondes Filho, 1993, p. 83).
Os indivíduos que formam determinados grupos na sociedade, têm, impregnado em seu pensamento, a idéia de que fazem parte de um estilo de vida. Procuram assistir, ouvir, ler e “consumir” programas que mantenham e reforcem essa acomodação social. Os meios de comunicação direcionados à grande massa de leitores, espectadores e consumidores cumprem o papel de enraizarem, cada vez mais, estes conceitos.
Considerados como empresas e comprometidos com o poder político e financeiro, os poderosos órgãos de imprensa, em sua maioria, seguem o caminho da

manipulação das informações e dos fatos reais. A realidade, apresentada pela grande mídia, retrata ao grande público, idéias, muitas vezes, preparadas e manipuladas. Essa manipulação pode ser vista como um reflexo aparente da verdadeira realidade:

A relação entre a imprensa e a realidade é parecida com aquela entre um espelho deformado e um objeto que ele aparentemente reflete: a imagem do espelho tem algo a ver com o objeto, mas não só não é o objeto como também não é a sua imagem; é a imagem de outro objeto que não corresponde ao objeto real. (ABRAMO, 2003, p. 24).

Este artigo, portanto, aborda a importância da mídia na formação da cidadania, trazendo algumas leituras sobre a grande mídia nacional, além de apresentar alguns exemplos de jornalismo solidário. Este último, abordado como uma alternativa de mídia no Rio Grande do Sul, ao atender diretamente as comunidades. Por fim, mostra a possibilidade de cada indivíduo perceber seu pensamento crítico e sua liberdade de escolha para tornar-se, efetivamente, uma parte importante desta engrenagem chamada sociedade.

2 MÍDIA ELETRÔNICA

Sem dúvida, a televisão é algo fascinante. Quanto mais simples é a vida do cidadão, mais importância tem a televisão. A mídia eletrônica utiliza-se dos espetáculos jornalísticos para prender a atenção do telespectador ou ouvinte. As noticias passam na tela, em ritmo acelerado, como se fosse um “show” de imagens e narrações. Geralmente, os telejornais iniciam com uma vinheta e uma música poderosa, fazendo com que o consumidor de notícias desperte para, após, ser hipnotizado pela tela.
O radiojornalismo tem um papel também muito forte no cotidiano do cidadão brasileiro. As grandes redes de comunicação englobam tanto as mídias eletrônicas – televisão e rádio – quanto o jornal impresso. A detenção de propriedade de vários canais de televisão, várias estações de rádio, vários nomes de jornais e portais de rede virtual por um mesmo grupo de comunicação, mantém a dominação constante no que diz respeito à divulgação das mensagens. As estações de rádio seguem a mesma linha de pensamento ideológico e político da empresa detentora e atingem um número tão expressivo de consumidores quanto a televisão e o jornal.
Obviamente, o aparelho de televisão e o rádio não estão sendo considerados monstros da comunicação. Afinal, os programas são planejados, desenvolvidos, produzidos, apresentados e assistidos por pessoas. O que está em ênfase é a forma com que, a maioria dos grandes veículos privados de comunicação, faz a notícia ou os fatos jornalísticos chegarem ao cidadão brasileiro. A função do telejornalismo e do radiojornalismo é a de informar ou esclarecer a opinião pública, a respeito dos fatos que se tornam notícia, sem manipular ou impor idéias pessoais:

Esclarecer a opinião pública não significa, de maneira alguma, torcer os fatos nem impor conceitos pessoais. Poderíamos dizer, mais adequadamente, que se trata de “trocar em miúdos” as notícias veiculadas, dando inclusive, pormenores paralelos. Exemplo: ao noticiar uma “revolução” numa república centro-americana, além de localizá-la no mapa, contar ao telespectador qual a forma de governo que existia e qual a tendência do movimento vitorioso; qual sua população, religião, principal produção, poder aquisitivo do povo, coisas folclóricas, etc. ” (Teodoro, 1980, p.38).

O espetáculo de alguns telejornais faz com que as notícias sejam processadas pelo público, da forma com que a equipe do programa edita as mesmas. A grande característica do radio e do telejornalismo, hoje em dia, é a capacidade de atingir, no mesmo minuto, uma parcela gigantesca da população. O problema está no fato de que, milhões de pessoas assistem os programas de notícias e se estas chegarem distorcidas, assim serão assimiladas e processadas pela opinião pública.
De acordo com Ciro Marcondes Filho (1993), “Lindlau1 acredita também que quem colabora com essa perda da realidade e da crítica são os grupos de interesse político e os partidos, pois precisam combater qualquer fato da realidade que não lhes traga benefícios”.
_____________________________
1 Dagobert Lindlau - Jornalista alemão. Autor da obra: A perda da realidade da televisão e seus críticos, uma revisão da razão jornalística. IN Cadernos de Jornalismo e Editoração: http://hdl.handle.net/1904/7671
3 JORNALISMO IMPRESSO

A dúvida em relação à possibilidade de um jornalismo sem manipulação é presente tanto na mídia eletrônica, com seus telejornais, quanto na mídia impressa, com seus jornais, folhetins e revistas semanais:

Se é possível fazer jornalismo com objetividade, por que o jornalismo manipula a informação e distorce a realidade? Se é possível identificar e distinguir padrões reiterativos de manipulação, ela é fruto do erro involuntário, da causalidade excepcional ou das naturais limitações da capacidade de observação e conhecimento? Certamente, não. A conclusão a que se pode chegar, pelo menos como hipótese de trabalho, é a de que a distorção da realidade pela manipulação da informação é deliberada, tem um significado e um propósito.” (ABRAMO, 2003, p. 42)

Tratando-se das revistas semanais, temos claramente, diversos exemplos de tendências políticas. A abordagem de um periódico, muitas vezes, é contra-atacado por outro, pelo simples fato de participarem de correntes ideológicas diferentes. Não existe o compromisso de informação e esclarecimento puro à sociedade.
No caso dos grandes veículos de comunicação, somos leitores e espectadores de uma grande batalha de imagens, entrevistas e, muitas vezes, de fatos distorcidos. Não existe, na grande imprensa, a participação efetiva da comunidade, até porque, geralmente, esta não tem acesso a todo o tipo de material jornalístico. Se um meio de comunicação transparece uma certa visão política ao seu leitor, provavelmente, isso não é obra, apenas, do profissional que escreveu a matéria. Existe toda uma equipe por trás, até chegar aos donos do órgão.
De acordo com Perseu Abramo (2003), “a discussão que deve ser feita, portanto, é a que possa nos levar a compreender porque os empresários da comunicação manipulam e distorcem a realidade”. Afirma, ainda que:

Uma das explicações para essa questão procura situar a raiz da resposta no campo econômico. E há duas vertentes para a explicação[...] do fenômeno. A primeira desloca para a figura do anunciante a responsabilidade última e maior pelo produto final da comunicação: [...] o empresário se vê obrigado a manipular e distorcer. A segunda vertente centra a explicação na ambição de lucro do próprio empresário de comunicação: ele distorce e manipula para agradar seus consumidores [...]e aumentar seus lucros: a responsabilidade é do próprio empresário de comunicação, mas a motivação é econômica. (ABRAMO, 2003, p. 42).

Claramente, o lucro não é o único fator que pode explicar a manipulação da realidade e do fato jornalístico. Como dito anteriormente, interesses políticos também têm um grande peso na manipulação da realidade, já que donos de jornais possuem uma estreita relação com as cadeiras legislativas e executivas do Estado. O desejo de manter-se no poder é um dos fortes elementos que contribuem para este reflexo imperfeito da verdade, reforçando a continuidade da dominação no que diz respeito à divulgação das informações. A sociedade acaba por tornar-se como um rebanho que recebe a informação previamente processada - o que leva o movimento social a dirigir-se para um caminho, também previamente escolhido pelos donos do poder.

4. JORNALISMO SOLIDÁRIO

Em reação a esta situação de domínio e aprisionamento do pensamento crítico do cidadão, surgem mídias alternativas, agindo diretamente nas comunidades. O crescimento do jornalismo solidário é proporcional ao aumento da concentração do controle sobre os meios de comunicação, conforme afirmação do jornalista Geraldo Canali:

A imprensa alternativa é também um destes sinais de reação às estruturas de pressão, opressão e dominação. Quanto mais concentrado o controle sobre os meios de comunicação, mais numerosas têm sido as iniciativas, ou tentativas de implantação de veículos localizados ou alternativos de comunicação. A pertinência destes veículos na atual conjuntura midiocrática pode ser avaliada[...] pela própria reação, furiosa, dos grandes grupos a qualquer iniciativa, por mais modesto que seja um jornal de bairro ou por mais circunscrita que seja uma rádio comunitária.” (DORNELLES & BIZ, 2006, Apresentação, p. 7).

O jornal de bairro, como um dos exemplos de jornalismo alternativo ou comunitário, atende às expectativas diretas da comunidade, na busca de resolver os problemas ligados ao cotidiano da região abrangida. Enquanto a grande mídia de massas faz a sociedade apenas absorver as informações que chegam através de seus veículos de comunicação, os jornais locais permitem a cidadania participativa. Os anseios das pessoas ligadas à comunidade podem ser divulgados em um veículo de fácil acesso e discutidos próximo à edição do jornal. Erros e acertos acontecem, mas com uma dinâmica muito mais coerente.
O jornal comunitário, normalmente, não tem um dono. Na maioria das vezes, mesmo tendo o profissional jornalista presente, uma associação de moradores é a responsável pela edição e distribuição do periódico. As edições, por não serem diárias, até porque demanda um custo muito alto, são elaboradas após reuniões e debates ocorridos na comunidade. Os erros, citados anteriormente, podem ser discutidos e corrigidos, diretamente, pelos envolvidos no processo de cidadania. “Convencionou-se chamar de – popular – estas formas alternativas de comunicação, feita pelo povo e para o povo. Ela é uma forma de comunicação que pode ter, em determinadas circunstâncias, um sentido instrumental imediato, uma íntima relação com o trabalho e a vida”. (Dornelles e Biz, 2006, p. 54).
Importante destacar que a comunicação popular tem a participação de diversos grupos da sociedade, além dos indivíduos e grupos pertencentes às classes sociais mais baixas:

Destacamos, ainda, que, muitas vezes, quando aparecem voluntários para organização e ação comum de uma comunidade, há interesse particular em jogo, como disputa por cargos no Legislativo e no Executivo. Entretanto, grande número de instituições, especialmente as que compõem o terceiro setor, também chamado de Economia Social pelos países da América Latina e da Europa, tem oferecido apoio aos setores mais carentes da sociedade por questões humanísticas e desinteressadas economicamente, que objetivam o bem comum. (DORNELLES & BIZZ, 2006, p. 55).

O jornalismo comunitário, conforme Dornelles e Biz (2006), tem por objetivo “atender aos anseios da comunidade como um todo, dando cobertura aos acontecimentos que tenham proximidade junto ao leitor, que, dentro do possível, determinará quais as notícias devem ser divulgadas pelo jornal, desde que não atendam a nenhum interesse particular.”
Na região da Grande Porto Alegre, temos o jornal “Repórter Popular”, que por sua auto definição, através de seu editorial, mostra o mundo como ele é - e não de cima pra baixo, como a maioria das mídias nacionais - e o jornal “Boca de Rua”, com oficina e edição na capital gaúcha. Ambos, direcionados à população da região metropolitana, apresentando reportagens que seriam, de certo modo, polêmicas, se divulgadas por veículos da grande mídia de massas. Conta, ainda, no caso do “Repórter Popular”, com a colaboração de profissionais de diversos setores, incluindo advogados que esclarecem os leitores, através da coluna ”Nossos Direitos”, com informações importantes para os trabalhadores, contribuintes, desempregados e demais interessados.
O jornal “Boca de Rua” foi lembrado por adultos que vivem nas ruas, em pesquisa coordenada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, sendo revelado como o Movimento Social mais conhecido pela população de rua:

A finalidade era mostrar o mapa e os locais de utilização da população de adultos em situação de rua de Porto Alegre/RS, assim como conhecer as suas especificidades de formação antropológica (dados étnicos, sócio-econômicos e culturais, estratégias de trabalho e geração de renda, formas de sociabilidade, identidade e representações sociais, formas de relação com instituições e demandas para as políticas públicas). Ao todo, 1203 adultos em situação de rua foram entrevistados. (ALICE)2

Tanto jornais como “Repórter Popular”, “Boca de Rua” e os jornais de bairro, fazem o leitor sentir-se próximo da notícia e da própria redação do jornal. Isso mantém o interesse, da comunidade-alvo, nestes meios alternativos de comunicação.

5. RÁDIO COMUNITÁRIA

A rádio comunitária, outra mídia alternativa, representante do jornalismo solidário, forma-se dentro das comunidades e direciona sua programação ao cotidiano da região onde está inserida. Ela tem a mesma função social, de consciência em busca da cidadania e participação efetiva da comunidade, que possui o jornal comunitário ou solidário. O diferencial da rádio para o jornal é a dificuldade da primeira em conseguir o direito de transmissão. Essa disputa pelo espaço aéreo, muitas vezes retarda um projeto de rádio ou, até mesmo, faz algumas transmitirem, mesmo sem outorga3, sendo consideradas clandestinas pelo Ministério das Comunicações4.
_________________
2 Agência Livre para Educação, Cidadania e Educação – http://www.alice.org.br/portal/index.php - Acesso em 26 abr 2008

3 Outorga: Concessão, autorização. Fonte: Dicionário da Língua Portuguesa, Fênix, 1991). No caso das rádios é a concessão para uso do espaço aéreo.

4 A 5ª Turma Especializada do TRF da 2ª Região [...] que o funcionamento de emissora de rádio, mesmo sem fins lucrativos, é clandestino enquanto não for concluído o processo de outorga pelo Poder Executivo. [...]. Fonte: www.abert.org.br/novosite/clipping/clipping_resultados.cfm?cod=113460

As rádios comunitárias não seriam as “privilegiadas” de estarem atuando ilegalmente: Rádios de poderosos grupos de comunicação estariam, também, atuando com suas licenças vencidas, conforme o jornal “Repórter Popular”:

A ABRAÇO-RS não faz a separação entre rádios comunitárias com ou sem outorgas. De acordo com Líbero, rádios consideradas históricas dentro do movimento ainda possuem as licenças. E revida fazendo a mesma acusação de ilegalidade nas rádios comerciais: ‘ A ANATEL tem na página dela a informação de que no estado do Rio Grande do Sul existem mais de 200 emissoras comerciais com outorgas vencidas. [...] Eles é que são os piratas, até porque estão atrás do ouro da propaganda oficial’.(Ed. nº 3, maio, junho e julho de 2007, p. 8).

No Rio Grande do Sul, existe a Associação Brasileira de Radio-difusão Comunitária (ABRAÇO-RS), que trava diversas lutas com donos e gerentes de rádios comerciais. Estes últimos, representados pela Associação Gaúcha de Radio-difusão (AGERT). Existe a discussão sobre a legislação, que até mesmo as grandes corporações não respeitam e a repressão às rádios comunitárias pela Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL). Órgão que teria de ser o regulador do setor de comunicações.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os meios de comunicação, realmente, ocupam grande espaço em nossas vidas. A maioria das pessoas assiste os poderosos canais de televisão, ouve as grandes rádios comerciais e lêem o jornal mais tradicional da cidade. A consciência de que existe a distorção dos fatos jornalísticos e a manipulação das informações pelas grandes empresas jornalísticas, vem surgindo aos poucos. Em pequenos núcleos comunitários, através de mídias alternativas, as pessoas estão acordando para a realidade mais próxima de suas vidas, reivindicando através destes veículos, os seus direitos e anseios de cidadania, participando diretamente do processo de comunicação.
Cidadania não é um presente que um grupo de jornalistas e voluntários entrega a uma comunidade ou grupo social. A cidadania aparece, com a consciência de cada um destes indivíduos, que eram considerados parte de uma “massa”, fazendo-os participar profundamente da produção de notícias da mídia de sua comunidade.
O jornalismo solidário diferencia-se das grandes mídias de massa, por, justamente, vincular-se aos interesses destas comunidades ou grupos sociais. Promove ações, planejadas e organizadas pelos próprios formadores da comunidade. No caso do jornal “Boca de Rua”, não existe interferência para forçar os moradores de rua, a deixar as calçadas e partir para outro estilo de vida. Existe o respeito ao indivíduo, oportunizando, então, para este, um caminho de voz para a sociedade que fecha o vidro do carro, no sinal de trânsito.
O jornalismo solidário, além de ser um contra-ponto às grandes empresas de comunicação, traz novas alternativas também, para a sociedade das maiorias, que são chamadas de minorias por terem o menor número de direitos sociais, econômicos e até mesmo, políticos.
Por fim, a solidariedade no jornalismo apresenta às comunidades a clareza de que a busca da cidadania depende da consciência de cada indivíduo e de sua liberdade de escolha. Existe um espírito crítico em cada cidadão saudável e basta um estímulo para a capacidade de reflexão e crítica aflorar.


REFERÊNCIAS

ABRAMO, Perseu. Padrões de manipulação na grande imprensa. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2003.

DORNELLES, Beatriz. BIZ, Osvaldo. Jornalismo solidário. Porto Alegre: GCI, 2006.

MARCONDES FILHO, Ciro. Televisão: a vida pelo vídeo. São Paulo: Moderna, 1988.

TEODORO, Gontijo. Jornalismo na TV. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1980

Jornal Repórter Popular. Ano I. Nº 3. maio, junho e julho 2007.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Balada das arquivistas - Vinícius de Moraes

Oh jovens anjos cativos
Que as asas vos machucais
Nos armários dos arquivos!
Delicadas funcionárias
Designadas por padrões
Prisioneiras honorárias
Da mais fria das prisões
É triste ver-vos, suaves
Entre monstros impassíveis
Trancadas a sete chaves:
Oh, puras e imarcescíveis!
Dizer que vós, bem-amadas
Conservai-vos impolutas
Mesmo fazendo a juntada
De processos e minutas!
Não se amargam vossas bocas
De índices e prefixos
Nem lembram os olhos das loucas
Vossos doces olhos fixos.
Curvai-vos para colossos
Hollerith, de aço hostil
Como se fora ante moços
Numa pavana gentil.
Antes não classificásseis
Os maços pelos assuntos
Criando a luta de classes
Num mundo de anseios juntos!
Enfermeiras de ambições
Conheceis, mudas, a nu
O lixo das promoções
E das exonerações
A bem do serviço público.
Ó Florences Nightingale
De arquivos horizontais:
Com que zelo alimentais
Esses eunucos letais
Que se abrem com chave yale!
Vossa linda juventude
Clama de vós, bem-amadas!
No entanto, viveis cercadas
De coisas padronizadas
Sem sexo e sem saúde...
Ah, ver-vos em primavera
Sobre papéis de ocasião
Na melancólica espera
De uma eterna certidão!
Ah, saber que em vós existe
O amor, a ternura, a prece
E saber que isso fenece
Num arquivo feio e triste!
Deixai-me carpir, crianças
A vossa imensa desdita
Prendestes as esperanças
Numa gaiola maldita.
Do fundo do meu silêncio
Eu vos incito a lutardes
Contra o Prefixo que vence
Os anjos acorrentados
E ir passear pelas tardes
De braço com os namorados.

Antologia Poética
Poesia completa e prosa: "O encontro do cotidiano"

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