quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

A vida em capítulos - Capítulo I

Mãe e filha caminham por uma estrada da área rural da capital. A criança já está com as perninhas fortes, por caminhar tantas vezes, sem rumo, parando apenas por alguns momentos, para descansar ou pedir algo nas porteiras do caminho. Ainda no tempo das garrafas, a imagem da entrada da fazenda ou estância, onde uma pessoa, gentilmente, cedeu um pouco de leite, jamais saiu da memória da menina. Assim como o cheiro do riacho que havia por perto. Memórias visuais e olfativas... Várias imagens ainda fazem parte deste arquivo de memórias. Ainda presentes e muito vivas, cenas de parentes em uma casa de vida agitada, um baile infantil de carnaval, brincadeiras em um bambuzal, curiosidade por ovos de passarinhos em seus ninhos, primos indo para a escola, caminhadas em meio a grandes pedras à beira de um lago, o cheiro de flores e frutos do mato, busca de atendimentos eventuais em instituições de caridade e tantas outras. Tantas lembranças...de fatos ocorridos antes de seus cinco anos de idade. Diálogos não são lembrados. Nenhuma fala. Apenas os atos e as imagens. Passados mais de trinta anos, se as paisagens ainda existirem, serão reconhecidas pela mulher que um dia, foi a menina da estrada. Embora as lembranças não tenham a sequência cronológica correta, ainda sim, parece que ocorreram em um espaço muito curto. Como se as últimas semanas ou meses, ficassem gravados, antes da grande experiência, que seria vivida mais adiante.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Relatório de Trabalho de Campo


UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
CAMPUS LITORAL NORTE
DEPARTAMENTO INTERDISCIPLINAR
DESENVOLVIMENTO REGIONAL
Disciplina: Etnodesenvolvimento (DIL01211)
Prof. Dr.: Olavo Ramalho Marques


Isabel Ayala[1]

Relatório de Trabalho de Campo:
­­­­­Tramandaí-Bento Gonçalves-Pinto Bandeira-Porto Alegre-Eldorado do Sul-Tramandaí


INTRODUÇÃO

          Este relatório apresenta as atividades de Trabalho de Campo ocorridas durante os dias 08, 09 e 10 de novembro de 2018, dentro do estado do Rio Grande do Sul, nos municípios de Bento Gonçalves, Pinto Bandeira, Porto Alegre e Eldorado do Sul. Participaram das atividades, alunos de diversas disciplinas do Campus Litoral Norte (CLN) da UFRGS, tais como Seminários Integradores; Trabalho de Campo Integrado; Pesquisa Qualitativa I; Processos de Construção de Identidades; Projetos Integradores de Gestão Espacial, Desenvolvimento Regional; Desenvolvimento Regional e Ordenamento Espacial e por fim, Etnodesenvolvimento e Mediações Político-Culturais, na qual estou matriculada neste semestre 2018/2.
          A saída de professores e alunos do CLN ocorreu a partir do Campus em Tramandaí, na manhã de 08 de novembro, em ônibus da Universidade e teve duração até o final da tarde do dia 10 de novembro, com a volta dos mesmos ao Campus Litoral. Para a realização das atividades, foi necessário dois pernoites em um hotel de Porto Alegre. Os Professores Anelise Graciele Rambo, Daniela Garcez Wives, Michele Lindner, Olavo Ramalho Marques e Ricardo de Sampaio Dagnino foram os responsáveis pelo Trabalho, acompanhando e monitorando o grupo de, aproximadamente quarenta discentes.
           O objetivo destas atividades foi conhecer diversos setores dentro do contexto do Desenvolvimento Regional. Dentre eles, pode-se destacar: órgãos da administração pública que desenvolvem e implementam políticas públicas, instituições de ensino e ações de extensão, produtores em contextos diversos do mercado agrícola, grupos de luta por cidadania e terra, comunidades étnicas tradicionais e paisagem urbana.  Este relatório descreve e traz maior reflexão às situações vivenciadas durante o Trabalho de Campo que mais aproximam-se dos estudos e interesses relacionados à disciplina Etnodesenvolvimento e Mediações Político-Culturais, ministrada pelo Professor Olavo Ramalho Marques.


LOCAIS VISITADOS

08/11/2018 - quinta-feira
Destino 1 - Bento Gonçalves - Vale dos Vinhedos – Vinícola Pizzato

          A Pizzato é uma vinícola familiar que produz vinhos finos. Nessa vinícola fomos recepcionados por uma funcionária, que nos contou um pouco da história da família Pizzato, fundadora da Vinícola (Figura 1).

Figura 1 - Vinícola Pizzato.
Foto: Isabel Ayala - 08/11/2018

          Junto às vinhas da propriedade, tivemos alguns esclarecimentos a respeito do cultivo das videiras e a manutenção das mesmas para melhor aproveitamento dos frutos, o que garante a qualidade de seu produto final. Na Pizzato, os vinhedos são cultivados no sistema de espaldeira, onde se faz a poda de forma com que a planta concentre sua energia em maior parte na produção da uva e em menor proporção no crescimento de seus galhos e folhas.
          Logo após as explanações da anfitriã, fomos convidados para uma degustação de vinhos e espumantes. Nesta ocasião, fomos agraciados com alguns sabores e tivemos algumas experiências sensoriais, com a mesma anfitriã nos orientando sobre cada um dos vinhos degustados, fazendo-nos perceber alguns sabores e aromas específicos. A Pizzato possui o Certificado Denominação de Origem (D.O.) Vale dos Vinhedos.
          No mesmo espaço da degustação ocorrem vendas de vinhos e produtos diversos, associados à temática da vinícola. Alguns colegas e professores adquiriram produtos da loja, tais como garrafas de vinho, biscoitos e alguns objetos/lembranças que remetem à Região dos Vinhedos e à própria Vinícola Pizzato. Após esta visita, seguimos em direção ao Restaurante Zandonai, ainda no Vale dos Vinhedos, para uma pausa e almoço.
                                             
Destino 2 - Pinto Bandeira - Vinícola Geisse
         
          Na Vinícola Geisse, fomos recepcionados por Inacio Geisse, filho do fundador, o engenheiro agrônomo e enólogo chileno Mario Geisse, que veio para o Brasil em 1976.  Conforme Inacio nos informou, seu pai percebeu que em Pinto Bandeira existia um potencial incrível para se desenvolver a elaboração de produtos de alta qualidade, principalmente em matéria de espumantes, que ele considerava ser a grande vocação da região.
          No local conhecido hoje como Região dos Vinhos da Montanha, encontrou todas as condições e características necessárias para iniciar seus trabalhos. A boa altitude, o solo de boa qualidade e excelente drenagem, a amplitude térmica e a posição solar ideal, possibilitaram a produção de vinhos terroir[2] da vinícola. Inacio nos mostrou algumas fases do processo de elaboração


dos espumantes (Figura 2). Deixou claro o alto padrão de qualidade atingido pelas bebidas elaboradas em sua propriedade.

 
Figura 2 - Vinícola Geisse.
Foto:  Isabel Ayala - 08/11/2018

          Após a demonstração e explicações sobre a vinícola, os processos e os produtos, fomos convidados para um brinde numa área externa de descanso, o espaço zen. Além da produção vinícola e do espaço para confraternização e consumo de suas bebidas, é possível conhecer os vinhedos e seus arredores, acompanhado de um guia em um passeio em veículo "4x4". Deste passeio não chegamos a participar.


Destino 3 - Bento Gonçalves - Campus Avançado da UCS - Corede Serra

          Na Universidade de Caxias do Sul, em seu Campus Avançado da Região dos Vinhedos (CARVI) em Bento Gonçalves, encontramos o Professor Andre Melati. A seu pedido, iniciamos com a apresentação dos alunos e professores, informando nossos nomes e cidades de origem. Professor Andre apresentou-nos uma visão da dinâmica regional, a geografia, economia e a importância da diversificação industrial, assim como os desafios para o desenvolvimento da região serrana.
          Alguns questionamentos referentes a cotas na Universidade de Caxias foram apresentados, durante a explanação do professor da UCS, assim como problemas na urbanização, devido às características geográficas de algumas principais cidades da região. Neste encontro tivemos uma ideia do perfil socioeconômico dos municípios atendidos pelo Conselho Regional de Desenvolvimento da Região Serrana, o Corede Serra.
          Em outras palavras, Professor Andre comentou que, além dos vinhedos e a indústria vinícola, existe um grande potencial ainda a explorar nesta região. Além da produção vinícola, a região oferece muitos atrativos, inclusive turísticos, por exemplo. Após este encontro, encerramos as atividades do primeiro dia e partimos para o primeiro pernoite em Porto Alegre.


09/11/2018 - sexta-feira
Destino 4 - Porto Alegre - Secretaria de Planejamento - Conversa com equipe do Depto de Planejamento

          Nesta visita à Secretaria do Planejamento, Governança e Gestão do Estado do Rio Grande do Sul, localizada num dos andares do prédio do Centro Administrativo, fomos recebidos na manhã do dia 09 de novembro de 2018 pela equipe do Departamento de Planejamento Governamental (Figura 3).
          Através de seu Diretor Antonio Paulo Cargnin e demais colegas presentes, em sua maioria servidores geógrafos, com exceção de uma das palestrantes, analista de planejamento orçamentário, tivemos uma boa noção do trabalho realizado pela equipe do Departamento, a qual conta com mais de trinta técnicos colaboradores.

Figura 3 -  Técnico Antonio Cargnin e
alunos da UFRGS.
Foto: Isabel Ayala. 09/11/2018
         
          De acordo com Cargnin, a  equipe presente integra um setor direcionado às

atividades relacionadas ao desenvolvimento territorial. Os servidores apresentaram seus trabalhos e projetos de apoio ao planejamento territorial e desenvolvimento regional no Rio Grande do Sul, com suas agendas regionais. Estas agendas cumprem uma programação das políticas públicas direcionadas aos mais importantes segmentos da sociedade. Além dos trabalhos envolvendo o setor econômico nas regiões, existem pesquisas e projetos com foco na educação e saúde, por exemplo.  Os técnicos falaram sobre os trabalhos com os quais mais se envolvem, embora todos trabalhem em conjunto. Esta equipe é responsável por trabalhos que visam resultados a médio e longo prazo no setor de planejamento.
          O Departamento oferece suporte técnico e metodológico aos 28 COREDEs, dentro do estado, auxiliando as ações que visam o desenvolvimento regional.  Ao final da apresentação, tivemos acesso a alguns cadernos e agendas de desenvolvimento.  Houve, também, um sorteio de material informativo mais completo e uma das alunas foi sorteada. Após o término, saímos do Prédio do Centro Administrativo e seguimos a pé, em direção à Usina do Gasômetro e ao Centro Histórico da capital.
           
Destino 5 - Roteiro urbano na cidade de Porto Alegre

          Neste circuito, monitorado e orientado pelos professores, observamos elementos que compõem a organização do espaço urbano em Porto Alegre. Saindo do Centro Administrativo, seguimos pela região da orla revitalizada, em direção à Usina do Gasômetro (Figura 4).
Figura 4 -  Usina do Gasômetro - Porto Alegre
Foto: Isabel Ayala. 2018

          Professor Olavo esclareceu que todo este trecho, inclusive a área do Centro Administrativo, trata-se de uma área de aterro da cidade, desde a década de 1940.
          Neste caminho, alguns questionamentos foram expostos em relação às obras de modernização, praças e quadras de esportes na região. Houve uma parada e os professores contaram um pouco da história da Usina e falaram sobre as ilhas do Guaiba e as ilhas bairro, como a Ilha da Pintada, as quais diferem desta paisagem urbana à qual estamos acostumados ao pensar em Porto Alegre. Em seguida, o grupo seguiu pela movimentada Avenida Mauá até a Praça Brigadeiro Sampaio, ao lado do Quartel da Marinha e em frente a uma das extremidades do muro do cais do porto, o Muro da Mauá. Os professores fizeram alguns esclarecimentos sobre a construção do muro, o qual foi construído após  uma grande enchente na década de 1940. Seguimos pela rua dos Andradas, onde Professor Olavo informou sobre a mesma fazer parte do caminho do Museu de Percurso do Negro e comentou também, sobre as atividades dos escravos urbanos da capital. Inclusive, o Tambor, um dos símbolos deste percurso, está presente na Praça Brigadeiro Sampaio. Em frente à Igreja Nossa Senhora das Dores, fizemos mais uma parada e professor Ricardo e Olavo falaram sobre a história que envolve a igreja citada.
          Seguimos pela Andradas, observando o estilo dos prédios históricos neste trecho, ocupados por casas de cultura, quartéis das forças armadas, museus, etc. Passamos pela Feira do Livro, em plena atividade neste dia. No entanto, não chegamos a circular pela Feira e na esquina democrática, localizada no encontro com Avenida Borges de Medeiros, nos dispersamos para o almoço. Nosso reencontro para embarque no ônibus da Universidade que nos levaria ao próximo destino, na parte da tarde, foi em ponto próximo à Reitoria da UFRGS e ao Parque da Redenção, por volta das 13hs e 30min. 

Destino 6 - Porto Alegre - Lomba do Pinheiro - Aldeia Mbya-Guarani Tekoa Anhentegua

          Chegamos na estrada de acesso à Aldeia, no interior do bairro Lomba do Pinheiro, ainda nas primeiras horas da tarde quente de sexta-feira.  Desembarcamos e antes de seguirmos a pé por um considerável trecho de estrada de chão, compramos água em um mercado que havia no outro lado da rodovia. Notei Professor Olavo conversando com um senhor que, em primeiro momento pensei tratar-se de alguém da comunidade do bairro ou algum líder comunitário. Este senhor seguia direção contrária ao nosso grupo, naquele instante. Desembarcamos também, as doações (alimentos, presentes, livros, roupas) e nos dividimos no transporte destes mantimentos. Neste caminho, percebemos várias casas e propriedades de não-índios, assim como trechos margeados por arbustos e diversas espécies de árvores, o que nos trazia algum alento e motivo para pausa na sombra, durante a caminhada. Ao chegarmos na Aldeia, encontramos pessoas da comunidade Mbyá e alguns jovens visitantes com apetrechos que indicavam que passariam a noite ali na aldeia. Desde nossa chegada ficamos em frente a uma casa que parecia ser um espaço de convivência. Esta construção parecia ser bem maior do que as outras casas visualizadas, pelo menos até onde tínhamos alcance visual. Após deixarmos as doações na área externa coberta, interagimos com as mulheres, os jovens e crianças Guarani ali presentes, assim como com os visitantes não-índios. Inclusive, alguns de nós adquirimos peças de artesanato que estavam expostas. Logo depois o mesmo senhor que citei anteriormente chegou, acompanhado de outras pessoas  e juntou-se ao grupo. Com esclarecimento do Professor Olavo, soubemos que tratava-se do Professor Jose Otavio Catafesto de Souza, arqueólogo do Departamento de Antropologia da UFRGS. Os jovens não-índios que já estavam na aldeia eram seus alunos, do curso de Ciências Sociais. Uma bela coincidência, neste dia especial.
            Fomos recebidos então, pelo Cacique Jose Cirilo Morinico, de uma forma muito cordial e nos posicionamos para ouvir nosso anfitrião. Professor Olavo agradeceu Cirilo por nos receber, apresentou nossas turmas, falou da importância desta visita para os nossos cursos e disciplinas. Apresentou também o professor Catafesto a quem ainda não o conhecia, passando em seguida a palavra ao mesmo. Professor Catafesto, o qual conhece o Cacique Cirilo e apoia a causa Mbyá-Guarani há aproximadamente trinta anos, informou que havia duas demandas em seu trabalho atual junto à comunidade da aldeia.
          A primeira refere-se ao acesso a uma fonte natural de água, que desce do morro, encontrada pela própria comunidade, na proximidade da área demarcada e a segunda trata-se de um sítio arqueológico com cerâmica guarani, encontrada pela própria equipe de pesquisadores da Universidade. A segunda demanda surgiu após vistoria preliminar durante a preparação do terreno para o campo que seria realizado durante pesquisas para a disciplina de Arqueologia. Catafesto afirma que estes elementos ajudam a reforçar a presença Mbyá-Guarani no local, mesmo estando fora da área desapropriada pela Prefeitura e que mesmo não estando no espaço pertencente à comunidade, o registro deste sítio arqueológico já pode garantir de imediato, o local como área proteção federal. Catafesto, então, justifica a presença de seus alunos e informa que pela primeira vez, irão acampar dentro dos domínios da comunidade, para estudos de campo junto ao sítio arqueológico e convivendo com as pessoas da aldeia.
          O Cacique Geral da comunidade Mbyá-Guarani no Rio Grande do Sul, inicia sua explanação de forma muito tranquila, agradecendo nossa presença e comentando a importância, tanto para os estudantes quanto para a comunidade, desta interação e troca de saberes, pois entende que toda a pesquisa e trabalho dos estudantes e professores, hoje, vai garantir a permanência dos Mbyá-Guarani e sua cultura e tradição às futuras gerações Guarani. Falou orgulhoso sobre seus descendentes estarem preparando-se para cursar Geografia, Antropologia e Biologia na Universidade. Cirilo acha muito importante os jovens conhecerem mundos diferentes pois, ele mesmo não teve a oportunidade de estudar fora da comunidade. Seus filhos sim, terão conhecimento de dois mundos, o ocidental e o indígena.
          Pelas palavras do cacique o ser humano deve ter o sentimento de amor e solidariedade e que ninguém é melhor que ninguém. Estamos todos de passagem aqui.  A doação dos alimentos que levamos foi algo que o deixou muito feliz porque o fato de pensarmos em ajudar o outro mostra que estamos crescendo como seres humanos. Mencionou que entender o sentimento do outro é importante para a harmonia entre as pessoas. Embora ele diga que tenha muito dificuldade no Português, entendemos perfeitamente suas palavras e a mensagem que ela queria nos passar. Nos pediu para elevar nosso pensamento porque sozinhos não resolvemos nada e todos precisamos de parceria.
          Cirilo falou também das dificuldades que terão pela frente com a gestão no novo presidente do país, o qual deve impedir novas demarcações de comunidades indígenas e quilombolas. A união de todos que apóiam as causas das comunidades tradicionais é que dará mais força à luta. Cirilo afirma não ter medo e sente cada vez força para lutar pelos direitos das comunidades tradicionais e que o medo foi criado pelos juruás, como forma de dominação. Os índios já sofreram com a presença inicial dos europeus, com as epidemias e agora com a ponta da caneta. Mas ele acredita em Nhanderú e tem cada vez mais coragem e que a força espiritual também pode nos ajudar a fazer o bem vencer o mal. Os guarani aprenderam a conviver com os não-índios, com a cultura dos brancos e a respeitar a forma de viver e os limites dos juruás.
          A conversa seguiu com algumas perguntas sobre a escola da comunidade e o sistema da mesma. O Cacique informou que a liberdade dos alunos na aldeia é diferente da escola regular juruá e que tem em torno de quarenta crianças estudando na escola guarani. A escola tornou-se viável na Tekoá Anhentegua pelo fato de se encontrar uma alternativa de educação que se adequasse ao modo de viver da comunidade. Mesmo que seja preciso estudar, os alunos indígenas dentro da comunidade, não são obrigados a ficar quatro ou cinco horas fechados em sala de aula. O ensino é teórico e também prático na escola guarani.
          Professor Olavo também comentou que, dentro desta forma de liberdade, os Mbyá circulam entre as famílias mesmo distantes, e até mesmo em outros territórios nacionais. Cacique Cirilo confirmou esta condição. Foi comentado também, sobre as modernidades vividas por alguns jovens. No entanto, na filosofia Guarani a liberdade do indivíduo em tomar algumas decisões é respeitada. Os mais velhos aconselham, no entanto, não proibem as escolhas dos mais novos.
          No final da conversa, agradecemos as belas palavras do Cacique, o qual nos deixou à vontade para circular pela aldeia e pelas trilhas. Acompanhamos, então, o Professor Catafesto, que nos guiou pela mata, juntamente com adolescentes e crianças da aldeia. Antes de adentrarmos na mata, passamos por algumas casas da aldeia, construídas no modo juruá, com exceção de uma pequena casa que não parecia ser habitada e que apresentava arquitetura Mbyá-Guarani. Passamos por algumas hortas e roças e também vale lembrar que, próximo à entrada da aldeia e do local onde estávamos ouvindo o Cacique Cirilo, havia uma plantação com mudas de árvores de espécies nativas. Seguindo a trilha na mata, então, após alguns minutos chegamos num espaço que estava sendo preparado pelos alunos de Catafesto para o acampamento noturno.
          Neste local, está a fonte de água. Ficamos por algum tempo ali, desfrutando do momento para encher as garrafinhas com a água cristalina da fonte e aguardando os outros alunos chegarem àquele ponto. Provei da água e, realmente, não tem nada que a desabone, pelo menos nos quesitos sensoriais como, frescor, aparência, cheiro e sabor. Quando todos já haviam chegado e provado da água, seguimos por mais uma trilha estreita pelo interior da mata. Chegamos em uma estrada de terra, na qual Catafesto nos mostrou o local exato do sítio arqueológico, onde foram encontrados os fragmentos de cerâmica guarani. Esta estrada inicia ou termina, mais ou menos, no ponto onde estão as cerâmicas. Após alguns esclarecimentos do Professor, fomos aos poucos voltando pela estrada em sentido ao topo do morro. O caminho um pouco escorregadio, devido às rochas e ao tipo de solo.
          Chegando na parte mais alta, temos a vontade de permanecer por ali durante o tempo suficiente que nos faça esquecer as horas e os compromissos. Em mais um pouco de exploração, Catafesto nos mostrou um espaço entre as árvores e arbustos, ainda no alto do morro. Era um local de rituais de Religião Afro-Brasileira. Encontramos então, paisagem, culturas, vista da cidade, tradição, curiosidade de visitante, cortesia, amizade, pesquisa, patrimônio histórico e cultural, tudo junto, dentro de alguns hectares. Já estava com saudades dali, antes mesmo de ir embora. Descemos então, e voltamos pelas mesmas trilhas. Senti a liberdade em colocar mais água na minha garrafinha quando paramos na volta, novamente na clareira do acampamento e da fonte natural. Seguindo a trilha saímos da mata e voltamos ao ambiente da aldeia. Ali percebemos que alguns colegas não haviam nos acompanhado. Infelizmente, perderam uma experiência maravilhosa. Havia neste momento, um funcionário de alguma instituição com parceria da Petrobrás, em uma camionete carregada com mudas de espécies nativas. Estava deixando as mudas aos cuidados do Cacique Cirilo.
          Após um tempo de descanso, interação e conversas, nos despedimos e fomos embora. Desta vez, ao invés de seguirmos pela estrada de terra o trajeto inteiro até o ônibus que estava na rodovia nos aguardando, descemos por uma trilha por trás das casas da aldeia, guiados por alguns colegas mais experientes e espertos. Na verdade, eles haviam subido por ela na nossa chegada, pois já a conheciam desde outra visita à Tekoá. Esta trilha, na subida com os mantimentos teria sido um alento, pois não teríamos caminhado embaixo de sol intenso a estrada inteira. Enfim, a experiência e um certo espírito de solidariedade me fará alertar aos desavisados que existe esta alternativa de caminho pelas sombras, em próxima visita à aldeia.
          Terminamos, então, as atividades do segundo dia com uma bela vivência. Voltamos ao centro de Porto Alegre, para nosso segundo pernoite.




10/11/2018 - sábado
Destino 7 - Porto Alegre - Feira ecológica no bairro Menino Deus

          No pátio da Secretaria Estadual da Agricultura conhecemos uma das maiores feiras de produtos orgânicos da cidade de Porto Alegre. Com amplo espaço para circulação dos clientes e visitantes, a feira conta com hortifrutigranjeiros, flores, produtos industrializados e peças de artesanato, inclusive indígena. Uma das colegas adquiriu uma peça de uma jovem Guarani moradora de Novo Hamburgo. Os produtores comercializam seus produtos diretamente com a comunidade, garantindo a procedência ecológica dos alimentos. O público do local é formado por clientes fiéis, curiosos e visitantes, como nosso grupo de estudantes. Em conversa com alguns expositores, ficou claro que a preocupação da sociedade pelo consumo de alimentos saudáveis e sem agrotóxicos é a principal motivação para o cultivo destes produtos ecológicos. Os próprios agricultores que trabalhavam com insumos artificiais e tóxicos conseguiram alterar a forma de cultivo para um sistema mais saudável e ecológico. Instituições e associações vinculadas  ao Ministério da Agricultura apóiam aos produtores e garantem os certificados da procedência, visitando e fiscalizando as propriedades e emitindo os certificados.
          Esta feira é bastante diversificada no que diz respeito à origem dos feirantes produtores. Entre produtores assentados do MST e famílias de não assentados, vemos produtos de várias regiões como a Serra, Eldorado do Sul e Litoral. Inclusive, o arroz oriundo do Assentamento de Eldorado Sul está presente na feira. Durante o tempo em que estivemos na feira, percebi a qualidade das frutas e verduras. Cheguei a comprar três bergamotas e compartilhei com colegas mais próximos. A feira oferece produtos de acordo com a época, mudando suas ofertas conforme o clima altera durante as estações. Ao perguntarmos sobre os rumos da agricultura familiar e ecológica com o novo governo, os produtores afirmam ter muitas dúvidas ainda e não tem ainda uma opinião sobre o que pode acontecer. Mas, assim como Cacique Cirilo, informam que irão resistir e lutar pela manutenção de seu trabalho mesmo com dificuldades. Após a visita à Feira Ecológica do Menino Deus, seguimos em direção ao município de Eldorado do Sul.
         
         



Destino 8 - Eldorado do Sul - Assentamento Integração Gaúcha  - Hortas

          Chegando na sede da Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (COOTAP), desembarcamos e seguimos a pé até o assentamento com produção orgânica de verduras e legumes. Seguimos pelas hortas e vimos diversas variedades de alface (Figura 5). Conforme o produtor Miguel, ele cultivam quase tudo, desde alho-poró, aipim, abobrinha, temperos, chás, moranga, etc.  Passamos pela estufa e por sistemas de irrigação com água da chuva. Na área da plantação existem diques de reserva de água e açudes. Um novo açude maior deve ser feito, visando melhor hidratação das plantas em caso de calor muito intenso.

Figura 5 - Horta Orgânica - Eldorado do Sul.
Foto Isabel Ayala - 10/11/2018

           Miguel nos contou um pouco de sua história de assentado. O Assentamento é composto por 69 famílias, vindas da região do Alto Uruguai. Miguel e o irmão vieram de Herval Grande em 1990 e iniciaram a preparação de seis hectares "de pedra" até  começar de fato a produção. Em 1991 todas as outras famílias já estavam também assentadas nesta região de Eldorado do Sul. Os irmãos iniciaram a comercializar suas hortaliças na antiga Feira da Coolméia na Redenção. Hoje vendem em feiras ecológicas de bairros em Porto Alegre e Eldorado do Sul, para mercados e para a merenda escolar.  Contam também com o Pregão de Alimentos (P.A.) do Governo Federal e com clientes consumidores que vem diretamente no assentamento comprar suas hortaliças.
          Miguel informou que existem três tipos de produção principais: hortas, arroz e leite. Geralmente, os produtores escolhem uma das opções. No assentamento existe a situação dos lotes ainda não estarem legalizados oficialmente, o que gera alguns conflitos ou questionamentos entre os assentados, devido ao fato de algumas famílias terem se apropriado de áreas maiores. Após mais algumas informações e esclarecimentos referentes aos certificados e ao controle de qualidade dos produtos orgânicos, agradecemos Miguel e nos despedimos. Voltamos então, para a sede da COOTAP para o almoço.


Destino 9 - Charqueadas - Acampamento MST - Che Guevara

          Às margens da Rodovia, está o acampamento Che Guevara. Fomos recebidos por Aida, uma das integrantes da Direção Estadual do MST. Este grupo já mudou de lugar em várias ocasiões dentro dos cinco anos de sua existência. Inicialmente, com um número maior de famílias, foi perdendo integrantes devido aos processos e retrocessos de direitos e pelas transferências de lugar. Atualmente, cem famílias da Região Metropolitana de Porto alegre, Região dos Sinos, Encruzilhada do Sul, Viamão e outros municípios da região, fazem parte do acampamento. Algumas famílias, em busca de um lote de terra para trabalhar também surgem e, eventualmente se juntam ao acampamento.  O grupo já ocupou a área improdutiva da CEEE, onde estão localizados em frente, já por três vezes e foram retirados pela justiça. Por não ter para onde ir, mantiveram-se ás margens da Rodovia, numa área de domínio do DNIT.
          O sistema de convívio no acampamento prima pela boa convivência e coletividade e distribuição igualitária de trabalho e benefícios. Aida nos apresentou outras lideranças e nos deixou com a liberdade para conversarmos com qualquer pessoa do acampamento. Visitamos a cozinha comunitária, onde todos comem juntos. Sobrevivem através de auxílio dos companheiros já assentados e alguns acampados trabalham nos assentamentos. Existe uma troca entre acampados e assentados. O acampamento tem o objetivo de manter a união das famílias e de organização nos processos de luta pelos direitos e ocupações.
          O acampamento é composto por casas ou barracas feitas com estruturas de madeira e com coberturas de lonas pretas. O movimento e barulho na rodovia é intenso, assim como o calor no dia de nossa visita. Embora seja um local não adequado perfeitamente para uma vida digna, as famílias se organizam para que seja uma convivência sadia e se mobilizam na luta por terra. Todos os adultos trabalham para manter o acampamento e as crianças e jovens estudam. Aida comentou que do outro lado da rodovia tem uma aldeia indígena e que os acampados tem uma boa relação com a comunidade tradicional.
          O Che Guevara conta com alguns companheiros estudando em cursos técnicos, como veterinária, por exemplo. Fomos convidados por Aida, para circular pelo acampamento. O acampamento possui uma secretaria onde estão alguns registros importantes do coletivo e de seus membros. Vimos alguns filhotes de suínos pelo acampamento, assim como cães presos em coleiras e correntes. Ao chegarmos na outra extremidade, encontramos alguns senhores sentados à sombra, bem próximos a um curral com suínos adultos e filhotes.
          Após um questionamento sobre adaptação de algumas pessoas junto ao acampamento, Aida relatou alguns casos em que indivíduos não se enquadravam às regras de respeito, uso de bebidas, bem coletivo, etc. Muitos já foram expulsos, por não respeitarem as normas do grupo. Apesar disso, todo o tipo de família e toda a pessoa é bem-vinda, desde que não tenha pendências com a justiça. Em breve, os seis acampamentos no Rio Grande do Sul devem unir-se em apenas um acampamento maior. Esta união deve trazer mais força de mobilização e organização além de garantir maior segurança às famílias. No entanto, ainda não existe local definido para instalação do mesmo.
          Após esta experiência no acampamento, seguimos para o Assentamento Lanceiros Negros.


Destino 10 - São Jerônimo - Assentamento Lanceiros Negros - Arroz
         
          No Lanceiros Negros, fomos recebidos por Roberto, que nos informou tratar-se de um assentamento criado em 2014 pelo Governo Tarso Genro. Roberto comentou que o conceito e o sistema de agroecologia foi sendo incorporado aos poucos nas produções das famílias assentadas e que nem todas aderiram ao cultivo orgânico, ainda. No caso do Lanceiros, trata-se de um conjunto formado inicialmente por sete famílias e mais adiante também, pela própria cooperativa devido à necessidade de um espaço maior para a melhor armazenagem do arroz e para a liberação dos documentos e licenças de órgãos ambientais. Todo o arroz deste assentamento é orgânico e é armazenado em grandes silos. Inclusive está em andamento a ampliação para o sistema de armazenagem, com a vinda de silos de outros locais e de outros assentamentos, visando uma melhor gestão e qualidade do grão.
          Roberto também comentou sobre dois projetos em andamento. Um deles é a construção de uma indústria, onde o dinheiro já está liberado desde o Governo Dilma e que depende apenas, dos processos administrativos e burocráticos. O Outro é uma unidade de beneficiamento de sementes, com equipamentos doados pelo IRGA. Explicou que uma das linhas do Movimento é a autonomia desde o plantio e a produção de sementes e grãos, com uma breve explicação diferenciando a importância e o cuidado com as sementes em relação aos grãos de arroz. Por enquanto dependem de empresas terceirizadas, além das indústria do complexo cooperativo.
          A produção orgânica de arroz de aproximadamente 12 municípios chegam ao assentamento acompanhados de Nota Fiscal e documentos que garantam sua origem orgânica e após um processo para tirar a umidade, são armazenados nos silos. Todo o processo visando sempre manter a qualidade e integridade do arroz até ser retirado, inclusive mantendo o grão com casca pelo máximo de tempo, prevenindo a presença de pragas como o caruncho e fungos. O assentamento, além do mercado interno conta também com a exportação de seu arroz orgânico.
          Professor Olavo perguntou sobre a cooperação entre os assentados e os acampados e Roberto comentou que na última safra, a grande maioria de trabalhadores era formada por acampados do MST, junto com alguns assentados. A equipe que está construindo a estrutura para receber os silos que chegarão mais adiante, também é do pessoal acampado. Após esta fala, Roberto guiou um grupo de colegas e os professores ao local de armazenagem, onde estão os silos. Deste circuito eu não participei.







CONSIDERAÇÕES FINAIS
          Participar de um Trabalho de Campo com esta intensidade foi algo totalmente novo. Embora eu seja aluna da UFRGS desde 1997, mesmo  considerando alguns vácuos no tempo, jamais tive uma experiência parecida como esta, com o acesso a tantas realidades.
          No primeiro dia de trabalho de campo tivemos noção do quanto uma região e suas características geográficas e sociais podem ser determinantes para o sucesso na produção de produtos de qualidade e reconhecimento até mesmo, no exterior e por países com tradição muito mais antigos no segmento. A produção vinícola da região da Serra Gaúcha, além da intuição e do trabalho árduo dos primeiros fundadores destas propriedades, conta com muita pesquisa, ciência e determinação, inclusive de seus descendentes que valorizam e dão continuidade ao trabalho no Vale dos Vinhedos e região. Instituições de Ensino como a Universidade de Caxias do Sul agem diretamente no Desenvolvimento Regional, envolvendo-se e produzindo material de pesquisa e ação junto ao Corede Serra.
          No segundo dia tivemos informações referentes à elaboração e ao funcionamento das políticas públicas do Governo do Estado e suas agendas para o Desenvolvimento Regional, dentro da própria secretaria responsável pelos projetos. Um trabalho baseado em muito estudo e pesquisa realizada por técnicos capacitados, visando atender vários segmentos, inclusive educação e saúde, além do desenvolvimento econômico das regiões. Percebemos, guiados pelos professores, como se deu o crescimento urbano de Porto Alegre e como ela ainda está sendo alterada e modificada continuamente. A importância do povo negro para o desenvolvimento da cidade e a memória coletiva desta história. Visitamos uma aldeia indígena Mbyá Guarani, onde seu líder tem um visão de mundo que chega a emocionar. Mesmo com todas as dificuldades e desafios presentes há séculos, o povo Mbyá não perde a ternura, mesmo tendo que lutar a cada dia por sua sobrevivência. Um líder que está sendo presenteado, junto com seu povo, por elementos que, esperamos, garantam sua permanência num lugar onde jamais deveriam precisar provar que um dia foi seu. Ainda é e jamais deixou de ser.
          No terceiro dia, convivemos e aprendemos muito com a classe de trabalhadores rurais que conseguiram seu lote de terra através de muita mobilização, senso coletivo e lutas sociais e que provam ao mundo que os que se movimentam em busca de terra querem, realmente, produzir alimento saudável para todos e fazem parte de um Movimento Sem Terra legítimo. Mesmo conseguindo seus lotes para produzir, seja em cooperativa ou com sua família, não esquecem dos irmãos que ainda estão debaixo das lonas pretas, acampados à margem das rodovias ou na porteira de terras improdutivas. Quando um acampado torna-se assentado, jamais deixa de ser um integrante do Movimento Sem Terra.
          Precisamos todos de conforto, de uma boa casa e boa comida na mesa. No entanto, devemos perceber que para isso, precisamos pensar em todos e não em nós, apenas. Por fim, além do lado econômico, nossa preocupação também como prováveis futuros mediadores de políticas públicas, deve ser o social, o coletivo, o entendimento das diversas realidades em nosso estado, assim como em nosso país ou nosso mundo. Mediar também é encontrar a média, o equilíbrio.


REFERÊNCIAS

Futuro RS: agenda de desenvolvimento: temas para uma agenda de desenvolvimento: cadernos para o futuro 1 / Departamento de Planejamento Governamental - RS. - N.1. Porto Alegre: Secretaria do Planejamento, Mobilidade e Desenvolvimento Regional, 2016.

Futuro RS: agenda de desenvolvimento: O envelhecimento da população gaúcha e as consequências e desafios para as políticas públicas de saúde e educação: cadernos para o futuro 2 / Departamento de Planejamento Governamental - RS. - N.1. Porto Alegre: Secretaria do Planejamento, Mobilidade e Desenvolvimento Regional, 2016.

Futuro RS: agenda de desenvolvimento: alternativas para o desenvolvimento do Estado a partir da dinamização da indústria de transformação: cadernos para o futuro 3 / Departamento de Planejamento Governamental - RS. - N.1. Porto Alegre: Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão, 2017.


http://www.cavegeisse.com.br/inicio - Acesso em 15/11/2018

https://www.vemdauva.com.br/o-que-e-terroir/ - Acesso em 15/01/2018



[1] Aluna do Curso de Museologia-UFRGS em situação extracurricular no curso de Desenvolvimento Regional - Campus UFRGS Litoral Norte.
[2] Terroir é uma expressão da Língua Francesa sem tradução na Língua Portuguesa. Porém, podemos entender como terroir o produto que advém de um local com as características perfeitas para seu cultivo ou elaboração ou fabricação. No caso dos espumantes da Vinícola Geisse, o local escolhido em Pinto Bandeira apresenta estas características geográficas, climáticas e de tradição e cultura. Este conjunto garante a excelente qualidade de seus produtos.

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