quarta-feira, 3 de abril de 2019

Relatório de Trabalho de Campo


UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
CAMPUS LITORAL NORTE
DEPARTAMENTO INTERDISCIPLINAR
DESENVOLVIMENTO REGIONAL
Disciplina: Etnodesenvolvimento (DIL01211)
Prof. Dr.: Olavo Ramalho Marques


Isabel Ayala[1]

Relatório de Trabalho de Campo:
­­­­­Tramandaí-Bento Gonçalves-Pinto Bandeira-Porto Alegre-Eldorado do Sul-Tramandaí


INTRODUÇÃO

          Este relatório apresenta as atividades de Trabalho de Campo ocorridas durante os dias 08, 09 e 10 de novembro de 2018, dentro do estado do Rio Grande do Sul, nos municípios de Bento Gonçalves, Pinto Bandeira, Porto Alegre e Eldorado do Sul. Participaram das atividades, alunos de diversas disciplinas do Campus Litoral Norte (CLN) da UFRGS, tais como Seminários Integradores; Trabalho de Campo Integrado; Pesquisa Qualitativa I; Processos de Construção de Identidades; Projetos Integradores de Gestão Espacial, Desenvolvimento Regional; Desenvolvimento Regional e Ordenamento Espacial e por fim, Etnodesenvolvimento e Mediações Político-Culturais, na qual estou matriculada neste semestre 2018/2.
          A saída de professores e alunos do CLN ocorreu a partir do Campus em Tramandaí, na manhã de 08 de novembro, em ônibus da Universidade e teve duração até o final da tarde do dia 10 de novembro, com a volta dos mesmos ao Campus Litoral. Para a realização das atividades, foi necessário dois pernoites em um hotel de Porto Alegre. Os Professores Anelise Graciele Rambo, Daniela Garcez Wives, Michele Lindner, Olavo Ramalho Marques e Ricardo de Sampaio Dagnino foram os responsáveis pelo Trabalho, acompanhando e monitorando o grupo de, aproximadamente quarenta discentes.
           O objetivo destas atividades foi conhecer diversos setores dentro do contexto do Desenvolvimento Regional. Dentre eles, pode-se destacar: órgãos da administração pública que desenvolvem e implementam políticas públicas, instituições de ensino e ações de extensão, produtores em contextos diversos do mercado agrícola, grupos de luta por cidadania e terra, comunidades étnicas tradicionais e paisagem urbana.  Este relatório descreve e traz maior reflexão às situações vivenciadas durante o Trabalho de Campo que mais aproximam-se dos estudos e interesses relacionados à disciplina Etnodesenvolvimento e Mediações Político-Culturais, ministrada pelo Professor Olavo Ramalho Marques.


LOCAIS VISITADOS

08/11/2018 - quinta-feira
Destino 1 - Bento Gonçalves - Vale dos Vinhedos – Vinícola Pizzato

          A Pizzato é uma vinícola familiar que produz vinhos finos. Nessa vinícola fomos recepcionados por uma funcionária, que nos contou um pouco da história da família Pizzato, fundadora da Vinícola (Figura 1).

Figura 1 - Vinícola Pizzato.
Foto: Isabel Ayala - 08/11/2018

          Junto às vinhas da propriedade, tivemos alguns esclarecimentos a respeito do cultivo das videiras e a manutenção das mesmas para melhor aproveitamento dos frutos, o que garante a qualidade de seu produto final. Na Pizzato, os vinhedos são cultivados no sistema de espaldeira, onde se faz a poda de forma com que a planta concentre sua energia em maior parte na produção da uva e em menor proporção no crescimento de seus galhos e folhas.
          Logo após as explanações da anfitriã, fomos convidados para uma degustação de vinhos e espumantes. Nesta ocasião, fomos agraciados com alguns sabores e tivemos algumas experiências sensoriais, com a mesma anfitriã nos orientando sobre cada um dos vinhos degustados, fazendo-nos perceber alguns sabores e aromas específicos. A Pizzato possui o Certificado Denominação de Origem (D.O.) Vale dos Vinhedos.
          No mesmo espaço da degustação ocorrem vendas de vinhos e produtos diversos, associados à temática da vinícola. Alguns colegas e professores adquiriram produtos da loja, tais como garrafas de vinho, biscoitos e alguns objetos/lembranças que remetem à Região dos Vinhedos e à própria Vinícola Pizzato. Após esta visita, seguimos em direção ao Restaurante Zandonai, ainda no Vale dos Vinhedos, para uma pausa e almoço.
                                             
Destino 2 - Pinto Bandeira - Vinícola Geisse
         
          Na Vinícola Geisse, fomos recepcionados por Inacio Geisse, filho do fundador, o engenheiro agrônomo e enólogo chileno Mario Geisse, que veio para o Brasil em 1976.  Conforme Inacio nos informou, seu pai percebeu que em Pinto Bandeira existia um potencial incrível para se desenvolver a elaboração de produtos de alta qualidade, principalmente em matéria de espumantes, que ele considerava ser a grande vocação da região.
          No local conhecido hoje como Região dos Vinhos da Montanha, encontrou todas as condições e características necessárias para iniciar seus trabalhos. A boa altitude, o solo de boa qualidade e excelente drenagem, a amplitude térmica e a posição solar ideal, possibilitaram a produção de vinhos terroir[2] da vinícola. Inacio nos mostrou algumas fases do processo de elaboração


dos espumantes (Figura 2). Deixou claro o alto padrão de qualidade atingido pelas bebidas elaboradas em sua propriedade.

 
Figura 2 - Vinícola Geisse.
Foto:  Isabel Ayala - 08/11/2018

          Após a demonstração e explicações sobre a vinícola, os processos e os produtos, fomos convidados para um brinde numa área externa de descanso, o espaço zen. Além da produção vinícola e do espaço para confraternização e consumo de suas bebidas, é possível conhecer os vinhedos e seus arredores, acompanhado de um guia em um passeio em veículo "4x4". Deste passeio não chegamos a participar.


Destino 3 - Bento Gonçalves - Campus Avançado da UCS - Corede Serra

          Na Universidade de Caxias do Sul, em seu Campus Avançado da Região dos Vinhedos (CARVI) em Bento Gonçalves, encontramos o Professor Andre Melati. A seu pedido, iniciamos com a apresentação dos alunos e professores, informando nossos nomes e cidades de origem. Professor Andre apresentou-nos uma visão da dinâmica regional, a geografia, economia e a importância da diversificação industrial, assim como os desafios para o desenvolvimento da região serrana.
          Alguns questionamentos referentes a cotas na Universidade de Caxias foram apresentados, durante a explanação do professor da UCS, assim como problemas na urbanização, devido às características geográficas de algumas principais cidades da região. Neste encontro tivemos uma ideia do perfil socioeconômico dos municípios atendidos pelo Conselho Regional de Desenvolvimento da Região Serrana, o Corede Serra.
          Em outras palavras, Professor Andre comentou que, além dos vinhedos e a indústria vinícola, existe um grande potencial ainda a explorar nesta região. Além da produção vinícola, a região oferece muitos atrativos, inclusive turísticos, por exemplo. Após este encontro, encerramos as atividades do primeiro dia e partimos para o primeiro pernoite em Porto Alegre.


09/11/2018 - sexta-feira
Destino 4 - Porto Alegre - Secretaria de Planejamento - Conversa com equipe do Depto de Planejamento

          Nesta visita à Secretaria do Planejamento, Governança e Gestão do Estado do Rio Grande do Sul, localizada num dos andares do prédio do Centro Administrativo, fomos recebidos na manhã do dia 09 de novembro de 2018 pela equipe do Departamento de Planejamento Governamental (Figura 3).
          Através de seu Diretor Antonio Paulo Cargnin e demais colegas presentes, em sua maioria servidores geógrafos, com exceção de uma das palestrantes, analista de planejamento orçamentário, tivemos uma boa noção do trabalho realizado pela equipe do Departamento, a qual conta com mais de trinta técnicos colaboradores.

Figura 3 -  Técnico Antonio Cargnin e
alunos da UFRGS.
Foto: Isabel Ayala. 09/11/2018
         
          De acordo com Cargnin, a  equipe presente integra um setor direcionado às

atividades relacionadas ao desenvolvimento territorial. Os servidores apresentaram seus trabalhos e projetos de apoio ao planejamento territorial e desenvolvimento regional no Rio Grande do Sul, com suas agendas regionais. Estas agendas cumprem uma programação das políticas públicas direcionadas aos mais importantes segmentos da sociedade. Além dos trabalhos envolvendo o setor econômico nas regiões, existem pesquisas e projetos com foco na educação e saúde, por exemplo.  Os técnicos falaram sobre os trabalhos com os quais mais se envolvem, embora todos trabalhem em conjunto. Esta equipe é responsável por trabalhos que visam resultados a médio e longo prazo no setor de planejamento.
          O Departamento oferece suporte técnico e metodológico aos 28 COREDEs, dentro do estado, auxiliando as ações que visam o desenvolvimento regional.  Ao final da apresentação, tivemos acesso a alguns cadernos e agendas de desenvolvimento.  Houve, também, um sorteio de material informativo mais completo e uma das alunas foi sorteada. Após o término, saímos do Prédio do Centro Administrativo e seguimos a pé, em direção à Usina do Gasômetro e ao Centro Histórico da capital.
           
Destino 5 - Roteiro urbano na cidade de Porto Alegre

          Neste circuito, monitorado e orientado pelos professores, observamos elementos que compõem a organização do espaço urbano em Porto Alegre. Saindo do Centro Administrativo, seguimos pela região da orla revitalizada, em direção à Usina do Gasômetro (Figura 4).
Figura 4 -  Usina do Gasômetro - Porto Alegre
Foto: Isabel Ayala. 2018

          Professor Olavo esclareceu que todo este trecho, inclusive a área do Centro Administrativo, trata-se de uma área de aterro da cidade, desde a década de 1940.
          Neste caminho, alguns questionamentos foram expostos em relação às obras de modernização, praças e quadras de esportes na região. Houve uma parada e os professores contaram um pouco da história da Usina e falaram sobre as ilhas do Guaiba e as ilhas bairro, como a Ilha da Pintada, as quais diferem desta paisagem urbana à qual estamos acostumados ao pensar em Porto Alegre. Em seguida, o grupo seguiu pela movimentada Avenida Mauá até a Praça Brigadeiro Sampaio, ao lado do Quartel da Marinha e em frente a uma das extremidades do muro do cais do porto, o Muro da Mauá. Os professores fizeram alguns esclarecimentos sobre a construção do muro, o qual foi construído após  uma grande enchente na década de 1940. Seguimos pela rua dos Andradas, onde Professor Olavo informou sobre a mesma fazer parte do caminho do Museu de Percurso do Negro e comentou também, sobre as atividades dos escravos urbanos da capital. Inclusive, o Tambor, um dos símbolos deste percurso, está presente na Praça Brigadeiro Sampaio. Em frente à Igreja Nossa Senhora das Dores, fizemos mais uma parada e professor Ricardo e Olavo falaram sobre a história que envolve a igreja citada.
          Seguimos pela Andradas, observando o estilo dos prédios históricos neste trecho, ocupados por casas de cultura, quartéis das forças armadas, museus, etc. Passamos pela Feira do Livro, em plena atividade neste dia. No entanto, não chegamos a circular pela Feira e na esquina democrática, localizada no encontro com Avenida Borges de Medeiros, nos dispersamos para o almoço. Nosso reencontro para embarque no ônibus da Universidade que nos levaria ao próximo destino, na parte da tarde, foi em ponto próximo à Reitoria da UFRGS e ao Parque da Redenção, por volta das 13hs e 30min. 

Destino 6 - Porto Alegre - Lomba do Pinheiro - Aldeia Mbya-Guarani Tekoa Anhentegua

          Chegamos na estrada de acesso à Aldeia, no interior do bairro Lomba do Pinheiro, ainda nas primeiras horas da tarde quente de sexta-feira.  Desembarcamos e antes de seguirmos a pé por um considerável trecho de estrada de chão, compramos água em um mercado que havia no outro lado da rodovia. Notei Professor Olavo conversando com um senhor que, em primeiro momento pensei tratar-se de alguém da comunidade do bairro ou algum líder comunitário. Este senhor seguia direção contrária ao nosso grupo, naquele instante. Desembarcamos também, as doações (alimentos, presentes, livros, roupas) e nos dividimos no transporte destes mantimentos. Neste caminho, percebemos várias casas e propriedades de não-índios, assim como trechos margeados por arbustos e diversas espécies de árvores, o que nos trazia algum alento e motivo para pausa na sombra, durante a caminhada. Ao chegarmos na Aldeia, encontramos pessoas da comunidade Mbyá e alguns jovens visitantes com apetrechos que indicavam que passariam a noite ali na aldeia. Desde nossa chegada ficamos em frente a uma casa que parecia ser um espaço de convivência. Esta construção parecia ser bem maior do que as outras casas visualizadas, pelo menos até onde tínhamos alcance visual. Após deixarmos as doações na área externa coberta, interagimos com as mulheres, os jovens e crianças Guarani ali presentes, assim como com os visitantes não-índios. Inclusive, alguns de nós adquirimos peças de artesanato que estavam expostas. Logo depois o mesmo senhor que citei anteriormente chegou, acompanhado de outras pessoas  e juntou-se ao grupo. Com esclarecimento do Professor Olavo, soubemos que tratava-se do Professor Jose Otavio Catafesto de Souza, arqueólogo do Departamento de Antropologia da UFRGS. Os jovens não-índios que já estavam na aldeia eram seus alunos, do curso de Ciências Sociais. Uma bela coincidência, neste dia especial.
            Fomos recebidos então, pelo Cacique Jose Cirilo Morinico, de uma forma muito cordial e nos posicionamos para ouvir nosso anfitrião. Professor Olavo agradeceu Cirilo por nos receber, apresentou nossas turmas, falou da importância desta visita para os nossos cursos e disciplinas. Apresentou também o professor Catafesto a quem ainda não o conhecia, passando em seguida a palavra ao mesmo. Professor Catafesto, o qual conhece o Cacique Cirilo e apoia a causa Mbyá-Guarani há aproximadamente trinta anos, informou que havia duas demandas em seu trabalho atual junto à comunidade da aldeia.
          A primeira refere-se ao acesso a uma fonte natural de água, que desce do morro, encontrada pela própria comunidade, na proximidade da área demarcada e a segunda trata-se de um sítio arqueológico com cerâmica guarani, encontrada pela própria equipe de pesquisadores da Universidade. A segunda demanda surgiu após vistoria preliminar durante a preparação do terreno para o campo que seria realizado durante pesquisas para a disciplina de Arqueologia. Catafesto afirma que estes elementos ajudam a reforçar a presença Mbyá-Guarani no local, mesmo estando fora da área desapropriada pela Prefeitura e que mesmo não estando no espaço pertencente à comunidade, o registro deste sítio arqueológico já pode garantir de imediato, o local como área proteção federal. Catafesto, então, justifica a presença de seus alunos e informa que pela primeira vez, irão acampar dentro dos domínios da comunidade, para estudos de campo junto ao sítio arqueológico e convivendo com as pessoas da aldeia.
          O Cacique Geral da comunidade Mbyá-Guarani no Rio Grande do Sul, inicia sua explanação de forma muito tranquila, agradecendo nossa presença e comentando a importância, tanto para os estudantes quanto para a comunidade, desta interação e troca de saberes, pois entende que toda a pesquisa e trabalho dos estudantes e professores, hoje, vai garantir a permanência dos Mbyá-Guarani e sua cultura e tradição às futuras gerações Guarani. Falou orgulhoso sobre seus descendentes estarem preparando-se para cursar Geografia, Antropologia e Biologia na Universidade. Cirilo acha muito importante os jovens conhecerem mundos diferentes pois, ele mesmo não teve a oportunidade de estudar fora da comunidade. Seus filhos sim, terão conhecimento de dois mundos, o ocidental e o indígena.
          Pelas palavras do cacique o ser humano deve ter o sentimento de amor e solidariedade e que ninguém é melhor que ninguém. Estamos todos de passagem aqui.  A doação dos alimentos que levamos foi algo que o deixou muito feliz porque o fato de pensarmos em ajudar o outro mostra que estamos crescendo como seres humanos. Mencionou que entender o sentimento do outro é importante para a harmonia entre as pessoas. Embora ele diga que tenha muito dificuldade no Português, entendemos perfeitamente suas palavras e a mensagem que ela queria nos passar. Nos pediu para elevar nosso pensamento porque sozinhos não resolvemos nada e todos precisamos de parceria.
          Cirilo falou também das dificuldades que terão pela frente com a gestão no novo presidente do país, o qual deve impedir novas demarcações de comunidades indígenas e quilombolas. A união de todos que apóiam as causas das comunidades tradicionais é que dará mais força à luta. Cirilo afirma não ter medo e sente cada vez força para lutar pelos direitos das comunidades tradicionais e que o medo foi criado pelos juruás, como forma de dominação. Os índios já sofreram com a presença inicial dos europeus, com as epidemias e agora com a ponta da caneta. Mas ele acredita em Nhanderú e tem cada vez mais coragem e que a força espiritual também pode nos ajudar a fazer o bem vencer o mal. Os guarani aprenderam a conviver com os não-índios, com a cultura dos brancos e a respeitar a forma de viver e os limites dos juruás.
          A conversa seguiu com algumas perguntas sobre a escola da comunidade e o sistema da mesma. O Cacique informou que a liberdade dos alunos na aldeia é diferente da escola regular juruá e que tem em torno de quarenta crianças estudando na escola guarani. A escola tornou-se viável na Tekoá Anhentegua pelo fato de se encontrar uma alternativa de educação que se adequasse ao modo de viver da comunidade. Mesmo que seja preciso estudar, os alunos indígenas dentro da comunidade, não são obrigados a ficar quatro ou cinco horas fechados em sala de aula. O ensino é teórico e também prático na escola guarani.
          Professor Olavo também comentou que, dentro desta forma de liberdade, os Mbyá circulam entre as famílias mesmo distantes, e até mesmo em outros territórios nacionais. Cacique Cirilo confirmou esta condição. Foi comentado também, sobre as modernidades vividas por alguns jovens. No entanto, na filosofia Guarani a liberdade do indivíduo em tomar algumas decisões é respeitada. Os mais velhos aconselham, no entanto, não proibem as escolhas dos mais novos.
          No final da conversa, agradecemos as belas palavras do Cacique, o qual nos deixou à vontade para circular pela aldeia e pelas trilhas. Acompanhamos, então, o Professor Catafesto, que nos guiou pela mata, juntamente com adolescentes e crianças da aldeia. Antes de adentrarmos na mata, passamos por algumas casas da aldeia, construídas no modo juruá, com exceção de uma pequena casa que não parecia ser habitada e que apresentava arquitetura Mbyá-Guarani. Passamos por algumas hortas e roças e também vale lembrar que, próximo à entrada da aldeia e do local onde estávamos ouvindo o Cacique Cirilo, havia uma plantação com mudas de árvores de espécies nativas. Seguindo a trilha na mata, então, após alguns minutos chegamos num espaço que estava sendo preparado pelos alunos de Catafesto para o acampamento noturno.
          Neste local, está a fonte de água. Ficamos por algum tempo ali, desfrutando do momento para encher as garrafinhas com a água cristalina da fonte e aguardando os outros alunos chegarem àquele ponto. Provei da água e, realmente, não tem nada que a desabone, pelo menos nos quesitos sensoriais como, frescor, aparência, cheiro e sabor. Quando todos já haviam chegado e provado da água, seguimos por mais uma trilha estreita pelo interior da mata. Chegamos em uma estrada de terra, na qual Catafesto nos mostrou o local exato do sítio arqueológico, onde foram encontrados os fragmentos de cerâmica guarani. Esta estrada inicia ou termina, mais ou menos, no ponto onde estão as cerâmicas. Após alguns esclarecimentos do Professor, fomos aos poucos voltando pela estrada em sentido ao topo do morro. O caminho um pouco escorregadio, devido às rochas e ao tipo de solo.
          Chegando na parte mais alta, temos a vontade de permanecer por ali durante o tempo suficiente que nos faça esquecer as horas e os compromissos. Em mais um pouco de exploração, Catafesto nos mostrou um espaço entre as árvores e arbustos, ainda no alto do morro. Era um local de rituais de Religião Afro-Brasileira. Encontramos então, paisagem, culturas, vista da cidade, tradição, curiosidade de visitante, cortesia, amizade, pesquisa, patrimônio histórico e cultural, tudo junto, dentro de alguns hectares. Já estava com saudades dali, antes mesmo de ir embora. Descemos então, e voltamos pelas mesmas trilhas. Senti a liberdade em colocar mais água na minha garrafinha quando paramos na volta, novamente na clareira do acampamento e da fonte natural. Seguindo a trilha saímos da mata e voltamos ao ambiente da aldeia. Ali percebemos que alguns colegas não haviam nos acompanhado. Infelizmente, perderam uma experiência maravilhosa. Havia neste momento, um funcionário de alguma instituição com parceria da Petrobrás, em uma camionete carregada com mudas de espécies nativas. Estava deixando as mudas aos cuidados do Cacique Cirilo.
          Após um tempo de descanso, interação e conversas, nos despedimos e fomos embora. Desta vez, ao invés de seguirmos pela estrada de terra o trajeto inteiro até o ônibus que estava na rodovia nos aguardando, descemos por uma trilha por trás das casas da aldeia, guiados por alguns colegas mais experientes e espertos. Na verdade, eles haviam subido por ela na nossa chegada, pois já a conheciam desde outra visita à Tekoá. Esta trilha, na subida com os mantimentos teria sido um alento, pois não teríamos caminhado embaixo de sol intenso a estrada inteira. Enfim, a experiência e um certo espírito de solidariedade me fará alertar aos desavisados que existe esta alternativa de caminho pelas sombras, em próxima visita à aldeia.
          Terminamos, então, as atividades do segundo dia com uma bela vivência. Voltamos ao centro de Porto Alegre, para nosso segundo pernoite.




10/11/2018 - sábado
Destino 7 - Porto Alegre - Feira ecológica no bairro Menino Deus

          No pátio da Secretaria Estadual da Agricultura conhecemos uma das maiores feiras de produtos orgânicos da cidade de Porto Alegre. Com amplo espaço para circulação dos clientes e visitantes, a feira conta com hortifrutigranjeiros, flores, produtos industrializados e peças de artesanato, inclusive indígena. Uma das colegas adquiriu uma peça de uma jovem Guarani moradora de Novo Hamburgo. Os produtores comercializam seus produtos diretamente com a comunidade, garantindo a procedência ecológica dos alimentos. O público do local é formado por clientes fiéis, curiosos e visitantes, como nosso grupo de estudantes. Em conversa com alguns expositores, ficou claro que a preocupação da sociedade pelo consumo de alimentos saudáveis e sem agrotóxicos é a principal motivação para o cultivo destes produtos ecológicos. Os próprios agricultores que trabalhavam com insumos artificiais e tóxicos conseguiram alterar a forma de cultivo para um sistema mais saudável e ecológico. Instituições e associações vinculadas  ao Ministério da Agricultura apóiam aos produtores e garantem os certificados da procedência, visitando e fiscalizando as propriedades e emitindo os certificados.
          Esta feira é bastante diversificada no que diz respeito à origem dos feirantes produtores. Entre produtores assentados do MST e famílias de não assentados, vemos produtos de várias regiões como a Serra, Eldorado do Sul e Litoral. Inclusive, o arroz oriundo do Assentamento de Eldorado Sul está presente na feira. Durante o tempo em que estivemos na feira, percebi a qualidade das frutas e verduras. Cheguei a comprar três bergamotas e compartilhei com colegas mais próximos. A feira oferece produtos de acordo com a época, mudando suas ofertas conforme o clima altera durante as estações. Ao perguntarmos sobre os rumos da agricultura familiar e ecológica com o novo governo, os produtores afirmam ter muitas dúvidas ainda e não tem ainda uma opinião sobre o que pode acontecer. Mas, assim como Cacique Cirilo, informam que irão resistir e lutar pela manutenção de seu trabalho mesmo com dificuldades. Após a visita à Feira Ecológica do Menino Deus, seguimos em direção ao município de Eldorado do Sul.
         
         



Destino 8 - Eldorado do Sul - Assentamento Integração Gaúcha  - Hortas

          Chegando na sede da Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (COOTAP), desembarcamos e seguimos a pé até o assentamento com produção orgânica de verduras e legumes. Seguimos pelas hortas e vimos diversas variedades de alface (Figura 5). Conforme o produtor Miguel, ele cultivam quase tudo, desde alho-poró, aipim, abobrinha, temperos, chás, moranga, etc.  Passamos pela estufa e por sistemas de irrigação com água da chuva. Na área da plantação existem diques de reserva de água e açudes. Um novo açude maior deve ser feito, visando melhor hidratação das plantas em caso de calor muito intenso.

Figura 5 - Horta Orgânica - Eldorado do Sul.
Foto Isabel Ayala - 10/11/2018

           Miguel nos contou um pouco de sua história de assentado. O Assentamento é composto por 69 famílias, vindas da região do Alto Uruguai. Miguel e o irmão vieram de Herval Grande em 1990 e iniciaram a preparação de seis hectares "de pedra" até  começar de fato a produção. Em 1991 todas as outras famílias já estavam também assentadas nesta região de Eldorado do Sul. Os irmãos iniciaram a comercializar suas hortaliças na antiga Feira da Coolméia na Redenção. Hoje vendem em feiras ecológicas de bairros em Porto Alegre e Eldorado do Sul, para mercados e para a merenda escolar.  Contam também com o Pregão de Alimentos (P.A.) do Governo Federal e com clientes consumidores que vem diretamente no assentamento comprar suas hortaliças.
          Miguel informou que existem três tipos de produção principais: hortas, arroz e leite. Geralmente, os produtores escolhem uma das opções. No assentamento existe a situação dos lotes ainda não estarem legalizados oficialmente, o que gera alguns conflitos ou questionamentos entre os assentados, devido ao fato de algumas famílias terem se apropriado de áreas maiores. Após mais algumas informações e esclarecimentos referentes aos certificados e ao controle de qualidade dos produtos orgânicos, agradecemos Miguel e nos despedimos. Voltamos então, para a sede da COOTAP para o almoço.


Destino 9 - Charqueadas - Acampamento MST - Che Guevara

          Às margens da Rodovia, está o acampamento Che Guevara. Fomos recebidos por Aida, uma das integrantes da Direção Estadual do MST. Este grupo já mudou de lugar em várias ocasiões dentro dos cinco anos de sua existência. Inicialmente, com um número maior de famílias, foi perdendo integrantes devido aos processos e retrocessos de direitos e pelas transferências de lugar. Atualmente, cem famílias da Região Metropolitana de Porto alegre, Região dos Sinos, Encruzilhada do Sul, Viamão e outros municípios da região, fazem parte do acampamento. Algumas famílias, em busca de um lote de terra para trabalhar também surgem e, eventualmente se juntam ao acampamento.  O grupo já ocupou a área improdutiva da CEEE, onde estão localizados em frente, já por três vezes e foram retirados pela justiça. Por não ter para onde ir, mantiveram-se ás margens da Rodovia, numa área de domínio do DNIT.
          O sistema de convívio no acampamento prima pela boa convivência e coletividade e distribuição igualitária de trabalho e benefícios. Aida nos apresentou outras lideranças e nos deixou com a liberdade para conversarmos com qualquer pessoa do acampamento. Visitamos a cozinha comunitária, onde todos comem juntos. Sobrevivem através de auxílio dos companheiros já assentados e alguns acampados trabalham nos assentamentos. Existe uma troca entre acampados e assentados. O acampamento tem o objetivo de manter a união das famílias e de organização nos processos de luta pelos direitos e ocupações.
          O acampamento é composto por casas ou barracas feitas com estruturas de madeira e com coberturas de lonas pretas. O movimento e barulho na rodovia é intenso, assim como o calor no dia de nossa visita. Embora seja um local não adequado perfeitamente para uma vida digna, as famílias se organizam para que seja uma convivência sadia e se mobilizam na luta por terra. Todos os adultos trabalham para manter o acampamento e as crianças e jovens estudam. Aida comentou que do outro lado da rodovia tem uma aldeia indígena e que os acampados tem uma boa relação com a comunidade tradicional.
          O Che Guevara conta com alguns companheiros estudando em cursos técnicos, como veterinária, por exemplo. Fomos convidados por Aida, para circular pelo acampamento. O acampamento possui uma secretaria onde estão alguns registros importantes do coletivo e de seus membros. Vimos alguns filhotes de suínos pelo acampamento, assim como cães presos em coleiras e correntes. Ao chegarmos na outra extremidade, encontramos alguns senhores sentados à sombra, bem próximos a um curral com suínos adultos e filhotes.
          Após um questionamento sobre adaptação de algumas pessoas junto ao acampamento, Aida relatou alguns casos em que indivíduos não se enquadravam às regras de respeito, uso de bebidas, bem coletivo, etc. Muitos já foram expulsos, por não respeitarem as normas do grupo. Apesar disso, todo o tipo de família e toda a pessoa é bem-vinda, desde que não tenha pendências com a justiça. Em breve, os seis acampamentos no Rio Grande do Sul devem unir-se em apenas um acampamento maior. Esta união deve trazer mais força de mobilização e organização além de garantir maior segurança às famílias. No entanto, ainda não existe local definido para instalação do mesmo.
          Após esta experiência no acampamento, seguimos para o Assentamento Lanceiros Negros.


Destino 10 - São Jerônimo - Assentamento Lanceiros Negros - Arroz
         
          No Lanceiros Negros, fomos recebidos por Roberto, que nos informou tratar-se de um assentamento criado em 2014 pelo Governo Tarso Genro. Roberto comentou que o conceito e o sistema de agroecologia foi sendo incorporado aos poucos nas produções das famílias assentadas e que nem todas aderiram ao cultivo orgânico, ainda. No caso do Lanceiros, trata-se de um conjunto formado inicialmente por sete famílias e mais adiante também, pela própria cooperativa devido à necessidade de um espaço maior para a melhor armazenagem do arroz e para a liberação dos documentos e licenças de órgãos ambientais. Todo o arroz deste assentamento é orgânico e é armazenado em grandes silos. Inclusive está em andamento a ampliação para o sistema de armazenagem, com a vinda de silos de outros locais e de outros assentamentos, visando uma melhor gestão e qualidade do grão.
          Roberto também comentou sobre dois projetos em andamento. Um deles é a construção de uma indústria, onde o dinheiro já está liberado desde o Governo Dilma e que depende apenas, dos processos administrativos e burocráticos. O Outro é uma unidade de beneficiamento de sementes, com equipamentos doados pelo IRGA. Explicou que uma das linhas do Movimento é a autonomia desde o plantio e a produção de sementes e grãos, com uma breve explicação diferenciando a importância e o cuidado com as sementes em relação aos grãos de arroz. Por enquanto dependem de empresas terceirizadas, além das indústria do complexo cooperativo.
          A produção orgânica de arroz de aproximadamente 12 municípios chegam ao assentamento acompanhados de Nota Fiscal e documentos que garantam sua origem orgânica e após um processo para tirar a umidade, são armazenados nos silos. Todo o processo visando sempre manter a qualidade e integridade do arroz até ser retirado, inclusive mantendo o grão com casca pelo máximo de tempo, prevenindo a presença de pragas como o caruncho e fungos. O assentamento, além do mercado interno conta também com a exportação de seu arroz orgânico.
          Professor Olavo perguntou sobre a cooperação entre os assentados e os acampados e Roberto comentou que na última safra, a grande maioria de trabalhadores era formada por acampados do MST, junto com alguns assentados. A equipe que está construindo a estrutura para receber os silos que chegarão mais adiante, também é do pessoal acampado. Após esta fala, Roberto guiou um grupo de colegas e os professores ao local de armazenagem, onde estão os silos. Deste circuito eu não participei.







CONSIDERAÇÕES FINAIS
          Participar de um Trabalho de Campo com esta intensidade foi algo totalmente novo. Embora eu seja aluna da UFRGS desde 1997, mesmo  considerando alguns vácuos no tempo, jamais tive uma experiência parecida como esta, com o acesso a tantas realidades.
          No primeiro dia de trabalho de campo tivemos noção do quanto uma região e suas características geográficas e sociais podem ser determinantes para o sucesso na produção de produtos de qualidade e reconhecimento até mesmo, no exterior e por países com tradição muito mais antigos no segmento. A produção vinícola da região da Serra Gaúcha, além da intuição e do trabalho árduo dos primeiros fundadores destas propriedades, conta com muita pesquisa, ciência e determinação, inclusive de seus descendentes que valorizam e dão continuidade ao trabalho no Vale dos Vinhedos e região. Instituições de Ensino como a Universidade de Caxias do Sul agem diretamente no Desenvolvimento Regional, envolvendo-se e produzindo material de pesquisa e ação junto ao Corede Serra.
          No segundo dia tivemos informações referentes à elaboração e ao funcionamento das políticas públicas do Governo do Estado e suas agendas para o Desenvolvimento Regional, dentro da própria secretaria responsável pelos projetos. Um trabalho baseado em muito estudo e pesquisa realizada por técnicos capacitados, visando atender vários segmentos, inclusive educação e saúde, além do desenvolvimento econômico das regiões. Percebemos, guiados pelos professores, como se deu o crescimento urbano de Porto Alegre e como ela ainda está sendo alterada e modificada continuamente. A importância do povo negro para o desenvolvimento da cidade e a memória coletiva desta história. Visitamos uma aldeia indígena Mbyá Guarani, onde seu líder tem um visão de mundo que chega a emocionar. Mesmo com todas as dificuldades e desafios presentes há séculos, o povo Mbyá não perde a ternura, mesmo tendo que lutar a cada dia por sua sobrevivência. Um líder que está sendo presenteado, junto com seu povo, por elementos que, esperamos, garantam sua permanência num lugar onde jamais deveriam precisar provar que um dia foi seu. Ainda é e jamais deixou de ser.
          No terceiro dia, convivemos e aprendemos muito com a classe de trabalhadores rurais que conseguiram seu lote de terra através de muita mobilização, senso coletivo e lutas sociais e que provam ao mundo que os que se movimentam em busca de terra querem, realmente, produzir alimento saudável para todos e fazem parte de um Movimento Sem Terra legítimo. Mesmo conseguindo seus lotes para produzir, seja em cooperativa ou com sua família, não esquecem dos irmãos que ainda estão debaixo das lonas pretas, acampados à margem das rodovias ou na porteira de terras improdutivas. Quando um acampado torna-se assentado, jamais deixa de ser um integrante do Movimento Sem Terra.
          Precisamos todos de conforto, de uma boa casa e boa comida na mesa. No entanto, devemos perceber que para isso, precisamos pensar em todos e não em nós, apenas. Por fim, além do lado econômico, nossa preocupação também como prováveis futuros mediadores de políticas públicas, deve ser o social, o coletivo, o entendimento das diversas realidades em nosso estado, assim como em nosso país ou nosso mundo. Mediar também é encontrar a média, o equilíbrio.


REFERÊNCIAS

Futuro RS: agenda de desenvolvimento: temas para uma agenda de desenvolvimento: cadernos para o futuro 1 / Departamento de Planejamento Governamental - RS. - N.1. Porto Alegre: Secretaria do Planejamento, Mobilidade e Desenvolvimento Regional, 2016.

Futuro RS: agenda de desenvolvimento: O envelhecimento da população gaúcha e as consequências e desafios para as políticas públicas de saúde e educação: cadernos para o futuro 2 / Departamento de Planejamento Governamental - RS. - N.1. Porto Alegre: Secretaria do Planejamento, Mobilidade e Desenvolvimento Regional, 2016.

Futuro RS: agenda de desenvolvimento: alternativas para o desenvolvimento do Estado a partir da dinamização da indústria de transformação: cadernos para o futuro 3 / Departamento de Planejamento Governamental - RS. - N.1. Porto Alegre: Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão, 2017.


http://www.cavegeisse.com.br/inicio - Acesso em 15/11/2018

https://www.vemdauva.com.br/o-que-e-terroir/ - Acesso em 15/01/2018



[1] Aluna do Curso de Museologia-UFRGS em situação extracurricular no curso de Desenvolvimento Regional - Campus UFRGS Litoral Norte.
[2] Terroir é uma expressão da Língua Francesa sem tradução na Língua Portuguesa. Porém, podemos entender como terroir o produto que advém de um local com as características perfeitas para seu cultivo ou elaboração ou fabricação. No caso dos espumantes da Vinícola Geisse, o local escolhido em Pinto Bandeira apresenta estas características geográficas, climáticas e de tradição e cultura. Este conjunto garante a excelente qualidade de seus produtos.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Programa Aldeias

Ajaka Para - Cestaria Guarani Mbya

Relatório Saída de Campo


UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
CAMPUS LITORAL NORTE
DEPARTAMENTO INTERDISCIPLINAR
DESENVOLVIMENTO REGIONAL
Disciplina: Etnodesenvolvimento (DIL01211)
Prof. Dr.: Olavo Ramalho Marques


Isabel Ayala[1]

Relatório de Saída de Campo:
Projeto Botos da Barra em Tramandaí-RS e Aldeia Tekoá Ka’aguy Porã - Retomada Mbyá-Guarani em Maquiné-RS
­­­­­­

INTRODUÇÃO

          Este relatório apresenta as atividades externas ocorridas no dia 20 de outubro de 2018, realizadas como parte do cronograma da disciplina Etnodesenvolvimento (DIL01211), oferecida no Curso Desenvolvimento Regional do Campus Litoral Norte (CLN), na qual estou matriculada no semestre 2018/2. Participaram alunos do Campus Litoral Norte, vinculados às disciplinas Etnodesenvolvimento e Processo de Construção de Identidades, o Professor Olavo Ramalho Marques (ministrante das duas disciplinas), alunos do Campus do Vale de Porto Alegre, do curso Bacharelado em Geografia, vinculados à disciplina Geografia do Brasil e o Professor Marcos Freitas (ministrante da disciplina), formando um grupo de, aproximadamente, 20 pessoas entre docentes e discentes.
          No presente trabalho relato duas visitas técnicas a locais da região do litoral norte do Rio Grande do Sul: Projeto Botos da Barra, em Tramandaí (Destino 1) e Aldeia Tekoá Ka’aguy Porã - Retomada Mbyá-Guarani, em Maquiné (Destino 2). Apresento a seguir o contexto de cada comunidade visitada e o desenvolvimento das atividades.

LOCAIS VISITADOS

Destino 1 - Projeto Botos da Barra
         
           O Projeto Botos da Barra chega à comunidade como ação de extensão da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que objetiva esclarecer, difundir e preservar a cooperação entre o homem e a natureza e que procura estabelecer, também, uma relação cultural com a sociedade. Projeto  é realizado pelo Centro de Estudos Costeiros Limnológicos e Marinhos do Instituto de Biociências da UFRGS (CECLIMAR/IB/UFRGS) em parceria com a Petrobrás.  Refere-se a um diálogo da Universidade com a comunidade sobre a pesca cooperativa que existe há muitos anos entre os pescadores artesanais de tarrafa e os botos (golfinhos),  junto à Barra do Rio Tramandaí.  Poderia referir-me apenas à "Pesca Cooperativa junto ao Rio Tramandaí" ou "Botos da Barra do Rio Tramandaí". No entanto, o Projeto Botos da Barra reforça a ideia de harmonia com a natureza e traz informações e material físico de divulgação que nos faz perceber, de forma muito efetiva e afetiva, esta interação socioambiental que ocorre no Sul do Brasil. Através da página do Projeto em uma rede social, descobri que os botos são carinhosamente batizados pelos pescadores e pude ter acesso a alguns vídeos, inclusive, com Geraldona e seu filhote caçula, Ligeirinho.
          Além disso, existe o estudo e a preocupação pela preservação das espécies marinhas através de seu monitoramento e o acompanhamento e subsídios para o fortalecimento desta atividade, o que beneficia também, os pescadores artesanais.  O local desta parceria entre os botos e os pescadores artesanais é a Barra do Rio Tramandaí, na divisa dos municípios de Tramandaí e Imbé, distante 12km do Campus Litoral Norte. Este foi o ponto exato de encontro entre as turmas envolvidas na saída de campo.

Atividade: Para esta atividade foi cedido um microônibus da Universidade, guiado por um motorista profissional. O veículo da UFRGS veio de Porto Alegre, na manhã do dia 20 de outubro, com a turma do Professor Marcos Freitas e passou pelo Campus Litoral Norte e imediações para o embarque dos alunos do litoral e do Professor Olavo Marques. Cheguei no local (Figura 1) da visita técnica, por volta das 10hs e 40min, em companhia da colega Flavia Santos, pois nos deslocamos de forma independente neste início das atividades, por morarmos relativamente mais próximo à Barra do que ao CLN.

Figura 1 - Localização da Barra do Rio Tramandaí.
Fonte: https://goo.gl/maps/jqFZo2TSwJv

          Chegando na Barra encontramos os professores e demais colegas já no local para a  observação aos movimentos de pescadores e golfinhos. Perdemos algumas conversas iniciais e esclarecimentos dos ministrantes, porém, conseguimos explorar o ambiente ao redor e seguir interagindo com nosso grupo acadêmico. Muito interessante ficarmos tão próximos a um canal onde as águas do mar e do rio se encontram. O local é um parque de dunas, rodeado por um lado pelo Oceano Atlântico e por outro pelo Rio Tramandaí. Um local impressionante, onde vemos residências e restaurantes próximos, barcos pequenos atracados no lado de Imbé e um navio de pesca (ou de carga) no mar. Somando tudo isso à presença dos golfinhos, dos pescadores, de pessoas passeando nas areias, arrisco em dizer que este lugar é mágico.     Não chegamos a conversar com os pescadores que estavam em atividade durante nossa visita, a não ser um cumprimento ou saudação cordial por estarmos ali.
          Para nosso deleite, dois golfinhos apareceram e ficaram em atividade com os pescadores até nossa saída. Não cheguei a confirmar se, por acaso, seriam Geraldona e seu filhote. Registros fotográficos foram feitos pelo Professor Olavo e alguns colegas. No entanto, eu não consegui registrar imagem dos botos pois minha câmera de celular não permitiu tal proeza mas, a visão ao vivo já foi gratificante.  A pesca pareceu não ter sido muito proveitosa nesse dia, pelo menos no turno em que estivemos por lá.
          Cheguei a ver um pescador largar uma tainha ao lado de sua bicicleta[2] no momento em que Flavia e eu chegávamos ao encontro do grupo de colegas e professores. Na hora em que estávamos indo embora o peixe ainda estava vivo e ouvi alguém do grupo de alunos comentar algo sobre devolver o "coitado do peixe"  para a água. Comentei, então, que presenciei o momento em que o pescador havia deixado o animal ali (o que salvou, pelo menos, o almoço deste pescador). Brincadeiras à parte, percebi que todos os pescadores usavam a mesma indumentária (Figura 2).
         
 
Figura 2 - Pescador artesanal na Barra do Rio Tramandaí.
Foto: Isabel Ayala - 20/10/2018

          A roupa especial é necessária para sua proteção do frio e as botas de
neoprene[3] os protegem de qualquer material cortante ou perfurante. Notei, também, uma certa quantidade de lixo plástico nas imediações do local da pesca cooperativa, talvez deixada por visitantes ou trazida pelas águas. Alguns peixes mortos também foram vistos na areia. Inclusive, um deles parecia ser um 'bagre" ou "cação". Mas, como não tenho conhecimentos específicos e muito menos científicos neste assunto, prefiro não afirmar.

          Informações e mais detalhes sobre como ocorre a pesca cooperativa, podemos acessar facilmente, no material presente no local (Figura 3).


Figura 3 - Material informativo do Projeto.
Foto: Isabel Ayala. 20/10/2018

          Saindo das areias da Barra, nos direcionamos ao ônibus, onde seguiríamos todos juntos na sequência das atividades, até o final do dia. Partimos dali, rumo à RS 030, caminho do próximo destino.  Após uma parada para o almoço em um restaurante localizado às margens da rodovia, seguimos até o município de Maquiné.


Destino 2 - Retomada Mbyá-Guarani - Aldeia Tekoá Ka’aguy Porã
         
          Em primeiro momento, reconheço que assim como a maioria dos brasileiros, não tenho o conhecimento satisfatório em relação à diversidade de povos indígenas que vivem em nosso país. De acordo com o Censo IBGE 2010, quase novecentas mil pessoas formam as nações indígenas no Brasil, distribuídas em áreas rurais e urbanas. Mas, além de dados técnicos e estatísticos, também é importante entender quem são os Povos Indígenas. Muito antes da chegada dos europeus neste território que atualmente denominamos  América (do Sul, Central e do Norte), haviam seres humanos que habitavam territórios específicos.
          A própria denominação "Povos Indígenas" ou "Índios" deriva do suposto equívoco dos navegadores que pensavam tratar-se da Índia, quando atracaram suas embarcações por este território, há pouco mais de quinhentos anos. No entanto, com o uso recorrente da palavra, até mesmo os próprios indígenas de autodenominam desta forma. A estas populações ou povos antigos, podemos chamar de originários, pelo fato de já estarem nestas terras bem antes da chegada e ocupação dos povos europeus e da imposição de sua cultura ocidental. A maior parte da população indígena no território brasileiro está distribuída em milhares de aldeias por todo o território do país. Estes povos da atualidade, fortemente vinculados de forma cultural e histórica às nações originárias é que podemos chamar de Povos ou Nações Indígenas. E índio é qualquer indivíduo membro destas comunidades e que seja reconhecido como tal, pela própria.    
          Dentre as inúmeras etnias indígenas no Brasil, destacamos neste estudo o Povo Guarani, especialmente, o subgrupo Mbya. Embora os Guarani, assim como a grande maioria da população indígena das Américas, tenham sofrido inúmeras interferências  por séculos e da dispersão de suas aldeias, os Mbya se reconhecem plenamente enquanto grupo diferenciado. Apesar da ocorrência de casamentos entre os subgrupos Guarani (Mbya, Kaiowa e Ñandeva), os Mbya mantêm uma unidade religiosa, características linguísticas[4] e hábitos alimentares bem determinados, que lhes permite reconhecer seus iguais mesmo vivendo em aldeias distantes entre si, independente do território delimitado pelas nações ocidentais (países ou estados dentro de um país).
          No Rio Grande do Sul, desde o dia 27 de janeiro de 2017, vinte famílias Mbya retomaram uma área no Município de Maquiné, na região do litoral norte. Na área em questão, funcionava a Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (FEPAGRO), de responsabilidade do Governo Estadual. Logo após a extinção da fundação, os indígenas criaram uma aldeia no local, reivindicando a demarcação em favor da comunidade Mbya, como luta pelo direito ao futuro, ao mesmo tempo preservando o espaço e a cultura de seus ancestrais. Trata-se de uma luta pela memória de seus antepassados e não uma invasão pois, reivindicam a retomada de um território que já os pertencia desde antes da chegada dos conquistadores europeus.

          Atividade: Chegamos na entrada da aldeia, no interior do município de Maquiné (figura 4). Foi decidido que o ônibus não seguiria pela área indígena, devido ao acesso estreito e às condições da estrada de terra e o mesmo ficou estacionado ao lado do antigo pórtico de entrada da extinta FEPAGRO.

Figura 4 - Entrada da Retomada Mbya Guarani.
Fonte: https://www.flickr.com/photos/alanuiza/40051783871/

          Desembarcamos e seguimos a pé, guiados pelo professor Olavo, por um trecho de aproximadamente cem metros (talvez mais), margeado por arbustos e diversas espécies de árvores, de vários tamanhos, inclusive frutíferas. Neste trecho, passamos por uma construção da aldeia (lado esquerdo da estrada), a qual não chegamos a ter acesso, onde visualizamos algumas mulheres e crianças. Porém, percebi que a dimensão desta construção era quase a mesma do espaço de convivência que nos seria apresentado logo a seguir.
          Ao chegarmos quase ao topo do caminho, que apresentava um certo aclive, já nos foi possível perceber a lateral da construção do espaço de convivência e aprendizado (lado direito da estrada). Ao chegar de fato onde ficaríamos por um considerável tempo, visualizamos algumas pessoas preparando seu almoço coletivo debaixo de uma estrutura coberta. Pelo aroma, assavam carne em fogo de lenha. Várias casas típicas do modo de construção Guarany também foram visualizadas. Logo a nossa frente, então, estava a casa de convivência, onde fomos recebidos pelo Cacique André Benites. Após as saudações de boas vindas e nossos agradecimentos por nos receberem, fomos convidados a entrar no espaço. Como havíamos planejado levar algumas doações, entre alimentos, brinquedos, roupas e livros, deixamos os presentes no interior deste espaço, próximo de onde Cacique André estava acomodado para nos oferecer sua fala. Deixei alguns livros e peças de roupas, como contribuição e agradecimento, os quais ficaram junto às demais doações dos professores e colegas.
           Em seguida, nos apropriamos de alguns banquinhos que estavam dispostos ali e nos  posicionamos em círculo, para ouvirmos o Cacique. Entre vários assuntos, reivindicações, esclarecimentos e desabafos justos, percebemos que nós, os juruás (não-índios) temos uma grande dívida com estas populações descendentes dos povos originários. André também nos informou que o espaço no qual estávamos -  uma escola autônoma Guarani, a Tekó Jeapó - havia sido erguido por diversas pessoas, entre índios e não-índios (Figura 5).

Resultado de imagem para "Tekoá Ka’aguy Porã" Maquiné
Figura 5 - Cacique André Benites e a estrutura inicial
da escola autônoma
Fonte: Internet - Campanha de apoio para construção da Tekó Jeapó


          Arquitetos, pessoas da região, universitários e profissionais diversos, entre brasileiros e outras nacionalidades ajudaram no levante da obra. Inclusive, muitos deixaram suas marcas nos desenhos em alto relevo nas paredes. O prédio com muitas características de bioconstrução, mesmo com detalhes que fogem um pouco da temática ecológica, como a cobertura de telhas industrializadas de fibrocimento (citadas pelo próprio cacique), além de proporcionar a interação e a integração social entre os indivíduos e famílias da comunidade da Retomada, abriga aos visitantes não-índios da aldeia (Figura 6). Para tanto, existe em cada extremo da casa, um mezanino para acomodação de quem, temporariamente, venha conviver com a comunidade da Retomada.

Figura 6 - Escola Guarani - Tekó Jeapó
Foto: Flavia Santos - 20/10/2018

          Enquanto ouvíamos o cacique André, as mulheres, os mais jovens e as crianças mostravam-se presentes aos poucos. As mulheres organizaram seus artesanatos nas bancadas de madeira que haviam dentro do centro de convivência, um jovem dedilhava um violão, outros meninos brincavam com diversos instrumentos. Infelizmente, neste dia não pude adquirir nenhuma peça de arte. Após a fala emocionante de André, agradecemos a oportunidade de estarmos ali e fomos convidados a assistir ao Coral da aldeia, ainda dentro do centro de convivência.
          Assistimos a uma demonstração da cultura Mbyá Guarani, com canções e danças oferecidos pelos jovens da comunidade. Após a apresentação, fomos convidados a realizar um trilha na mata. Imagino que todos os visitantes participaram desta caminhada de reconhecimento e interação, guiada por alguns adolescentes e crianças. O caminho pela mata serviu para dar uma certa emoção ao trajeto. Alguns colegas perdiam a paciência e demonstravam não estar confortáveis em ficar para trás na fila. Imagino que ainda tenhamos muito a aprender com as comunidades tradicionais. Notei a grande diversidade entre vegetação e insetos, no interior da mata. Enfim, no final do trajeto desta trilha proposta por nossos anfitriões, nos deparamos com uma clareira que tratava-se de outra área com mais casas no estilo Mbya Guarani (Figura 7), onde uma jovem porquinha veio nos receber, além de patos, galinhas e alguns cães. Os animais circulam livremente pelo espaço da aldeia.
A imagem pode conter: árvore, planta, céu, grama, atividades ao ar livre e natureza
Figura 7 - Habitações da Aldeia Retomada
Foto: Flavia Santos - 20/10/2018

          Por toda a aldeia, percebi a existência de hortas ou roças. Tanto na trilha, quanto nesta segunda área visitada, notei também, que havia alguns estreitos cursos de água ou, pelo menos, alagadiços por onde conseguíamos atravessar apenas com auxílio de alguma estrutura de madeira, caso não quiséssemos molhar ou deixar os sapatos com lama. Provavelmente, o sucesso das roças está diretamente ligado a esses pontos, o que indica tratar-se de um local que, de fato, possibilite e reforce o modo de viver da nação Mbyá Guarany. Por onde tivemos acesso percebi muitas árvores frutíferas. Provavelmente, em parte, produção de experimentos e pesquisas da extinta FEPAGRO.
          Após algum tempo conhecendo esta parte da aldeia, interagindo com os animais e comendo pitangas, guiados e informados pelo jovem que nos acompanhava desde a trilha, saímos deste local pela mesma estrada de terra a qual nos levou ao centro de convivência, logo na nossa chegada à aldeia. Apenas voltamos um pequeno trecho para voltar à Tekó. O que me deixou em primeiro momento, desorientada, pois ao realizar a trilha me parecia que eu estava muito mais distante do local de origem do que realmente estava. Desconsiderando minha ignorância, em particular, com relação ao espaço visitado, percebi que leigos podem se perder facilmente em qualquer mata fechada.
          Nos reunimos novamente em frente à casa de convivência - a Tekò Jeapó - onde visualizei o Cacique André lendo um dos livros que deixei como presente. Após um tempo de descanso, começamos a nos despedir das pessoas da comunidade que estavam próximas a nós. Me despedi do Cacique André, pedindo permissão para um dia voltar, ajudar e aprender mais. Gentilmente, ele disse que eu seria bem-vinda à aldeia.
          Seguimos então, nosso caminho em direção à entrada/saída (antigo pórtico da FEPAGRO) pra embarcarmos no ônibus da universidade. Investimos aproximadamente umas três horas nesta visita dentro da aldeia. Logo depois, no percurso da volta, os alunos e professores do CLN desembarcaram em pontos estratégicos de Osório e Tramandaí, para sua volta pra casa. O professor Marcos Freitas e seus alunos seguiram para a cidade de Torres-RS, no mesmo ônibus da  Universidade.







CONSIDERAÇÕES FINAIS

          Durante o tempo em que ficamos na Barra, percebi a grandiosidade geográfica do lugar, pois foi minha primeira vez na Barra do Rio Tramandaí. Incrível, olhar para um lado e ver um enorme navio no mar e olhar para  outro lado e testemunhar esta maravilhosa interação entre os seres humanos e os animais, em meio a uma natureza tão singular. Tudo isso muito próximo de um eixo urbano.
          A visita à Retomada, me fez perceber com muito mais clareza a luta destas comunidades para viverem com dignidade e da forma que lhe é de direito, conforme seus ancestrais. Conforme as palavras do Cacique André Benites, transformar os jovens para serem autônomos. Ensinar para o mundo, para viver na sociedade. Daí eles terão autonomia para escolher seu caminho sem regras do juruá. Tendo autonomia e responsabilidade, temos tudo para aprender e fazer[5]. 
            A presença dos Mbya, hoje, nestes espaços de terra que já foram solo de seus antepassados, garante a preservação tanto da mata nativa ou de reflorestamento que nos resta, quanto dos animais que vivem em todo este ecossistema, assim como das fontes de água. Confesso que também jamais havia visitado uma aldeia indígena. Visitar a Aldeia Tekoa Ka’ aguy Porã me fez perceber o quanto devemos às comunidades tradicionais.         
          Agradeço por fazer parte de uma instituição de ensino que trilha seu caminho pela inclusão e que envolve a comunidade acadêmica com as comunidades de seu entorno. Estas visitas foram de suma importância para percebermos a diversidade social e ambiental que existe na nossa região e a relação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul com as comunidades tradicionais que estão próximas e, no entanto, na maioria das vezes, longe de nosso olhar, de nosas preocupações, ações e certezas enquanto indivíduos não-índios (juruás) e totalmente inseridos numa sociedade individualista.


REFERÊNCIAS

https://pib.socioambiental.org/pt/Quem_s%C3%A3o#Povos_ind.C3.ADgenas.3F

http://www.amigosdaterrabrasil.org.br/2017/01/30/retomada-guarani-mbya/

http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/566588-nhanderu-no-comando-a-retomada-mbya-guarani-de-maquine-rs

https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Guarani_Mbya#Situa.C3.A7.C3.A3o_fundi.C3.A1ria_e_territorialidade

https://www.vakinha.com.br/vaquinha/apoio-para-construcao-da-escola-teko-jaepo-em-maquine-rs









[1] Aluna do Curso de Museologia-UFRGS em situação extracurricular no curso de Desenvolvimento Regional - Campus UFRGS Litoral Norte.
[2]Meio usado pelos pescadores da Barra para seu deslocamento e transporte do pescado até suas residências. Usam uma caixa para armazenar o equipamento e  o produto da pesca. Fonte: material informativo do Projeto, junto à entrada do local.
[3] Neoprene foi o primeiro material de borracha sintética a ser produzido em massa, sendo usado inicialmente nas roupas de mergulho, devido a sua vocação isotérmica. Atualmente, pode também ser encontrado em correias de ventilador do carro e em materiais promocionais. As principais características do Neoprene são: flexibilidade, elasticidade, resistência e proteção térmica e elétrica. Fonte: Internet
[4] Minhas irmãs, meus parentes, nosso pai verdadeiro (Nhanderu ete)! ... A nossa palavra sempre que sai da nossa boca é nosso pai que libera, nosso pai que libera a nossa fala para nós todos e para todos os que estão aqui no mundo dentre os nossos parentes. Trecho do discurso de recepção de visitantes Mbya vindos do Brasil, proferido pelo líder espiritual das aldeias de Iguaçu – Misiones, Argentina, 1997.      Fonte: https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Guarani_Mbya#L.C3.ADngua
[5] Trecho retirado do site https://www.vakinha.com.br durante campanha de apoio à construção da Tekoa Jeapó. Endereço virtual completo: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/apoio-para-construcao-da-escola-teko-jaepo-em-maquine-rs

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